Quando foi Chuva

 

No teu corpo eu fui chuva.

 

Quando não procurava, fui encontrado. Ou foi, praticamente, um esbarrão. Fosse o que fosse, se assemelhava ao sair de casa sem guarda-chuva e ter o corpo tomado no virar do tempo. Sem ver de onde surgia tanta água, sem saber o que fazer, sem ter pra onde correr. Quando já pensava em desistir de encontrar abrigo, finalmente entendi: precisava me molhar por inteiro pra ser devolvido à vida e ficar desperto para as coisas que cruzam nosso caminho sem que percebamos. 

E depois de abrir o céu, já não era mais o mesmo.

 Ainda desejava cada gota, ainda sentia escorrer em mim todo o mar que me pegou desprevenido. Vindo do céu, facilmente seria confundido com uma bênção. Vindo de onde quer que fosse, facilmente seria identificado como o principiar de um arrepio que sobe pelas costas e parece não querer se conter ao corpo, mas transbordar em um sorriso.

Quando nem ao menos imaginava ser possível que algo assim cruzasse meu caminho, me peguei sorrindo com os truques que a vida impõe. Tive apenas que agradecer pela grata surpresa que, numa interseção do Destino, lavou minha alma. Por fim, quase delirando no querer de sentir aquilo tudo de novo, imaginei que toda água seria pouca. Queria mais. 

Mais daquela água que ainda me adoçava a boca.

[ Gustavo Lacombe ]

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Com você eu vivo, Sem você sobrevivo.

  

Eu poderia muito bem viver sem você. 

Não sou daqueles que chega ao ápice do drama e diz que “eu não vivo sem você”. Vivo, só não faço isso muito bem. Sobrevivo. Sou capaz de levar alguns dias em seqüência sem que sequer me dê conta da sua falta, mas inevitavelmente uma hora a conta chega. Procuro alguém pra contar minhas besteiras, pensar comigo os assuntos e dividir coisas novas. Não acho ninguém. 

Não é que eu busque você em outras pessoas, tente achar as suas qualidades e defeitos num novo encontro. Nada disso. É que me falta você. Para o bom e para o ruim, para a alegria e para a tristeza, para o dia a dia e para os planos. Sim, já disse que poderia passar por tudo sem a sua presença novamente aqui. Ainda respiro, ainda busco meus objetivos, ainda trilho meus próprios caminhos e assim vou vivendo, mas de mão de dada com meu ego. 

Aliás, travo brigas homéricas com ele sobre se devo ou não te procurar. Quanto mais eu digo que quero, mas ele me nega a necessidade disso. Minha cabeça me faz imaginar meu corpo em outros abraços, mas sempre acabo fantasiando tudo contigo no final. Eu estou levando, só não estou fazendo isso muito bem. Por mais que alguns dias sejam bons, percebo que eles são todos muito iguais. Falta a graça da coisa. 

Viver sem você eu até consigo, mas é que a vida é muito melhor com você aqui perto de mim.

[ Gustavo Lacombe ]

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Seja Feliz. De Preferência Hoje.

  

Vivemos esperando a hora certa. 

Não, aquele vestido agora não. Estou gorda. Não, aquele chopp agora não. Preciso perder os quilinhos que marcam a minha blusa. Não, aquele investimento agora não. Preciso ter mais certeza de que é isso mesmo que eu quero. Nisso de vivermos esperando o timing certo das coisas, perdemos o timing da vida. Impomos condições para que possamos sorrir. E nunca sorrimos.

Postergamos a felicidade para um “eu do futuro” que, quando olha para o nosso “eu do passado”, sempre se pergunta: por que diabos não começamos a ser felizes antes? Por que não adiantamos logo os sorrisos e entendemos, de uma vez por todas, que a felicidade não pode ser programada? Ninguém sabe do porvir. Cansamos de fazer planos e vermos a vida mudar todos eles de repente. E aqueles sonhos que insistem em ficar por várias vezes se tornam frustrações. 

Isso acontece não só porque passamos a achar que nunca conseguiremos alcançá-los, mas por nós darmos conta de que não fazemos nada no presente para tirá-los da cabeça e transformá-los em ações. Não quero que as pessoas ajam mais por impulso ou se precipitem, só acho que temos de parar de adiar nosso próprio bem. 

A felicidade não pode ser uma utopia, uma idealização que só será real quando o espelho disser que você está magro, quando seu chefe finalmente te der um aumento ou só quando você trocar de carro. A felicidade tem que ser sentida. É aquele abraço apertado de um amigo, um beijo de alguém amado, um domingo pra não fazer nada ou ter com quem dividir a sexta. Aliás, felicidade pode ser até um ombro amigo para chorar as tristezas, mas é bem mais que “ter”. Ninguém é dono da Felicidade. 

A questão não é de ter, mas de ser. De preferência hoje.

[ Gustavo Lacombe ]

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Se não for ajudar, Não atrapalhe.

 

Eu tô com medo de reaparecer assim. Do nada. Chegar falando pra ela um monte de coisa e interromper outra que esteja acontecendo. Vai que ela está feliz? Vai que ela está acertando os ponteiros com a vida e, logo agora, se acostumou comigo longe? Vai que não tem mais nada a ver e eu tô a procurando por uma simples vontade? Nunca acredite nas loucuras feitas por desespero, não é?

Vejo os sorrisos nas fotos e acho que é exatamente aí onde ela quer estar. Não estava me esperando, apenas seguiu. Não pensa em me dar outras chances, mas em se dar novas chances. Aliás, eu mesmo não me daria outra. Olha o tanto de merda que eu já fiz. Olha o quanto eu já causei de mal. Vou chegar, assim como quem não quer nada, e dizer que o amor que sinto nunca se apagou?

Que nunca morreu?

Não quero agir por impulso. Não quero confundir uma falta, um sentimento de posse e achar que agora que posso perdê-la preciso tê-la com todas as forças. Não quero machucá-la mais. Eu escolho vê-la sorrir, ainda que seja com outra pessoa, do que causar mais confusão. Sei que é difícil. Ou você acha que não fico ruminando o pensamento de que posso estar perdendo a mulher da minha vida?

Posso estar jogando fora quem iria ao inferno comigo, quem cruzaria qualquer trilha, pularia qualquer muro. Que enfrentaria tudo só pra estar ao meu lado, mostrando o certo e o errado. Sendo companheira, como sempre foi. Você acha, seriamente, que eu não penso nisso? Tenho pensado, remoído, refletido. E enquanto isso o tempo passa.

Devagar e inexorável. Certo e devastador.

Claro que eu pediria um sinal, mas duvido algo cair do céu assim. Mais sinais que antes, impossível. Mais condições de voltar a ser o que era, impossível (2). Mais abertura para entrar no abraço, impossível (3). Fico pensando se já não deixei passar. E aí, já era. Deixei passar: o tempo, a felicidade, e ela.

[ Gustavo Lacombe ]

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Durona, “pero no mucho”

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Em qual direção você está indo?

Sou durona. Minhas amigas volta e meia me perguntam se eu não sofro (nem que seja um pouquinho) por ser assim. Eu jogo o cabelo e digo “claro que não, amiga. Nasci assim, cresci assim, sou bem melhor assim”. Faço aquele beijo maroto no ombro e largo:

- Foda-se o que passou, eu olho é pra frente – e sorrio.

É um pouco de pose também, claro. Não assumirei o papel de representante hipocrisia aqui. Dizer que não me arrependo de algumas coisas seria mentira. Me arrependo de várias. Sério. Nossa… Se pudesse voltar no tempo, faria um monte de coisas diferentes. Mas digo isso só agora também. É bem mais fácil chegar a essa conclusão depois de ver o tamanho das merdas e ter que lidar com todas as consequências.

Quando fecho os olhos e tento relembrar o que sentia naquele exato momento, me dou conta de que cheguei onde exatamente quis. Bom, não exatamente, mas fui nas direções que quis tomar. Aí, quando me bate uma nostalgia, fico olhando pras estrelas à noite e relembro um amor. Não qualquer amor, mas aquele que qualquer pessoa tem e que sabe que poderia ter mudado a vida inteiramente.

Sempre tem.

E é engraçado como a gente passa a reparar mais nas estrelas e na imensidão do céu quando tem esses momentos sozinhos. Nos damos conta do tamanho de tudo e, pelo menos eu, fico me perguntando se realmente não existe uma força maior que vai além do nosso entendimento. Algo mais forte que Destino ou Acaso. Algo mais forte que isso tudo que conhecemos.

Voando alto, lá pra longe, me pergunto onde será que aquela pessoa está? Que caminhos seguiu? Por que teve que ser desse jeito? E ai de mim se alguém me pega aqui nesse estado. Não é pra todo mundo que eu mostro como realmente sou. Sou durona, “pero no mucho”. Só até a página dois.

Só até bater a saudade.

[ Gustavo Lacombe ]

@glacombetextos

Deixa eu te amar?

Deixa eu te amar, faz de conta que sou o primeiro…



Não sei qual foi a merda que o último cara que passou na tua vida fez, mas ele foi um idiota. Isso é certo. Te deixou com medo de se entregar, fez com que você se fechasse e, agora, qualquer sinal que o mundo te dê de que é possível, sim, ser feliz, será prontamente ignorado. 

Eu entendi: você quer que eu desista porque seu coração ainda está machucado.  

 
Olha, me desculpa discordar de você, mas, sem falsa modéstia, quero ser a cura pra tudo de ruim que aconteceu contigo. Não vou te prometer ser um cara perfeito, mas vou me esforçar pra te mostrar que o que passou merece ser enterrado. Esquecido. Aliás, é até bom que você traga todas as lições que aprendeu. E, por favor, se eu errar ou chegar perto de fazer algo que te cause mal, me avise.  

 
Temos o problema de fazer algumas coisas e não julgarmos se vamos atingir ou não determinada pessoa. “Achamos” demais às vezes. Não quero esses mal entendidos. Não quero essa distância. Você não vê que, quando estamos longe, a saudade vem confirmar tudo isso que te digo agora? Que a falta só faz gritar mais alto o quão verdadeiro é essa vontade de estar junto? Que estamos apenas no início? Eu quero vir a ser muito, mas quero que você se dê conta disso aos poucos.  

 
Hoje, te mostro apenas a minha disposição para tudo isso. 

Eu não sei qual foi o tamanho da merda que já aprontaram contigo, mas eu vou te fazer passar uma borracha nisso tudo. Não adianta fechar ou tentar isolar o peito. O amor constrói qualquer ponte e derruba qualquer muro. Se eu pudesse te pedir apenas uma coisa, te pediria pra confiar.  

 Deixa eu te amar? 

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser adquirido aqui: http://www.bitly.com/LivroLacombe

O Nosso Guri

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Ele vai sair correndo do quarto e te acordar. Vai subir na nossa cama e te sacudir até que levante e faça o suco dele. Tão crescido, mas ainda tão dependente. Parecerá ter sido ontem que ainda falávamos do nosso filho como um sonho distante. E eu que dei o nome a ele. Você não concordou muito, mas no final até que gostou. Em pé na cozinha num sábado de manhã, sei que não pensará em trocar aquele afazer por mais cinco minutos de sono.

Nosso menino é quem estará puxando a barra do short do seu pijama e sorrindo enquanto esfrega os olhos. Aquela cena valerá tudo. Você irá se virar pra geladeira pra pegar queijo e presunto para fazer um sanduíche e refletirá, diante de chambinhos, chandelles, yakults e toddynhos, que toda a mudança foi muito rápida. Poderá ter levado uns bons sete anos, mas sempre parecerá que foram sete dias.

Voltará na sala para arrumar a mesa e se pegará olhando pra porta do quarto. Pensará que eu podia ter acordado também, mas meu sono (desde) sempre foi mais pesado que o seu. Ah, e o seu sanduíche é bem melhor que o meu. Nosso filho já terá descoberto isso e, por isso, te atacará nessas manhãs. E quando qualquer um de nós demorar a levantar, aí sim, ele lançará uma bomba atômica de pulos bem no meio da nossa cama.

Não haverá quem consiga dormir, né?

Depois de colocá-lo sentado pra tomar café, você se pegará olhando pros porta-retratos. Já te vejo refazendo a trajetória completa da nossa vida nas fotos que insistirão em denunciar que somos felizes. Engraçado, mas porta-retratos sempre soam como pedantes, portadores de uma felicidade que se perdeu no tempo e não voltará. Bobagem.

Essa felicidade estará sempre por aqui, encrostada nas paredes, misturada ao cheiro da roupa limpa e visível nos olhares, que levaremos daqui pro mundo. Da nossa casa para outros olhares. Nosso amor multiplicado. E é o jeito que ele vai te olhar enquanto come aquele sanduíche. É o jeito que ele vai se levantar depois e dizer “obrigado, mamãe”. É o jeito que realizaremos tudo isso que sonhamos e planejamos um dia.

Acontecendo bem diante dos nossos olhos desde o dia em que eu te disse “vem?” e você me disse “vou”.

[ Gustavo Lacombe ]

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