Quem inventou saudade…

Tem dias que a saudade chega como a brisa do mar. Toca o rosto, faz carinho. Chega a ser dengo. É gostosa e nos faz sorrir com o coração leve, ainda que apertado de um jeito delicado. Nesses dias, a dor é inexistente. Sobra gratidão pelo que se vive.

Noutros, porém, saudade é uma porrada no meio dos córneos. São as duas mãos no peito e um empurrão sem cerimônia alguma. É pra te derrubar mesmo. É pior que a pior das cachaças e bruta feito coice de mula, que acerta em cheio e tira todo o ar do sujeito.

E pior ainda é quando essa saudade vem acompanhada de um fogo inexplicável. Ou melhor, entendível de só ser passível de arrefecimento quando a pele encosta, quando o beijo explode, quando as mãos encontram seus caminhos naturais pelo corpo de quem se deseja, se quer e pede.

Nesses dias, saudade é tormento. É quase desgraça. É incêndio que não se vê, mas se sente. Banho frio não apaga, só deixa a água quente. Resolver sozinho não contenta, só aumenta a solidão de repente. Nesses dias, só o suor do corpo com corpo dá jeito no fogo.

Ainda assim, mesmo que enlouquecendo, qualquer um concorda que é melhor sentir essa saudade que aquela em que nada dá pé ou jeito. Aquela que transforma qualquer peito em terreno árido, infértil. Sem esperança. É saudade levada como fardo pelos que deixaram secar um grande amor.

E que quando brota comprova que saudade não mata, mas nos faz morrer um pouquinho mais depressa a cada dia.

[ Gustavo Lacombe ]

APRENDER COM OS “NÃOS”

Você (e eu e todos) precisa aprender a lidar com os “nãos” que entram sem ser chamados pelo caminho. E, perceba, não é aquele “sim” que determina a trajetória, mas todas as negativas que aparecem.

Claro que uma porta aberta é importante para mostrar o caminho, mas enquanto a buscamos, são as rotas fechadas que nos testam, que nos experimentam, que perguntam insistentemente o quanto queremos algo. Elas são como as pedras que bloqueiam o curso do rio sem impedir completamente a sua passagem.

Assim, elas também nos ajudam a ajustar equívocos, rever erros e voltar à carga de forma mais certeira.

Frustração? Óbvio que ocorrem. Não somos de aço e, dependendo do momento em que estamos, nos vemos à beira de um poço de sentimentos aflorados, abraçados pela iminência de um caos que parece pôr tudo a perder.

O que é necessário depois de mais um desses quebra-molas da vida que nos fazem diminuir a velocidade? Engatar novamente a marcha certa e seguir. Nessa salada de analogias, essa é a única receita de bolo que existe para quem busca um objetivo: não desistir.

#GustavoLacombe

Sobre o que está aí engasgado…

Dizem que tudo que a gente tem engasgado no peito uma hora sufoca querendo encontrar espaço para sair. Na maioria das vezes, essa saída vem em forma de choro no meio da madrugada ou em um acesso de raiva em que alguém esmurra uma porta, uma parede ou a própria consciência. E mesmo não sendo comum, tem horas que esse engasgo trava a vida, fazendo com que nada pareça estar no lugar e aquela lombada no meio da estrada não tenha sido superada. Vira obstáculo. Intransponível. A solução é óbvia: falar sobre isso, declarar o que sente, chamar para uma conversa quem é o objeto dessa angústia. Só isso pode acabar. Decidir ficar quieto e pensar “prefiro seguir com isso aqui dentro” é reflexão que acaba desaguando em outras madrugadas insones e atando outros nós no peito – já tão atribulado. No final, você que sabe o que quer levar aí. Dúvida, suposições, barreiras ou encerramentos de ciclo, desfechos e soluções.

#GustavoLacombe
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Acordar ao teu lado

Tirei os dois pés da cama e a cabeça do travesseiro, mas alguma coisa ficou lá. Naquele quarto. Enquanto você dormia e eu pensava na sorte que você tinha de não precisar acordar cedo para ir ao trabalho (já que você só pega mais tarde), fiquei admirando as suas formas, suas pernas que se precipitava para fora do short do pijama e a boca, meio abertinha que denunciava que teu sono ainda era profundo.

Abri a porta com cuidado, fui deixar o café pronto e liguei o chuveiro. A água, ainda fria, me lembrou de como gosto da quentura da tua pele ali comigo, fazendo as loucuras no box e provavelmente incomodando os vizinhos com barulhos inapropriados para serem ouvidos a qualquer hora do dia, mas que a gente sempre diz em tom de brincadeira “e tem hora?”.

Não tem.

Vesti-me um pouco apressado percebendo que ajudaria o atraso por sair de casa fora do horário e somando ao trânsito dessa cidade que a gente vive falando que um dia vai deixar, mas foi colocando a roupa que mais uma vez eu notei a delícia de tirá-la pra você, de estar perto de você, de te olhar profundamente e perceber que minha melhor camisa é teu abraço. Teu melhor vestido é teu sorriso.

Quando eu voltar, sei que não vou te encontrar aqui. A gente ainda mora em casas separadas, mas a chave que eu fiz das minhas portas é só um lembrete físico de que você já tem a mais importante de todas: a porta do meu coração. Clichê? Meio bobo? Sim, tudo isso, mas é isso que acontece quando se ama, se gosta e se tem a certeza de que a vida é dividida a dois para ser multiplicada em casal.

E se ainda precisar dizer, repetir, escrever ou colocar em um outdoor (o que pode ser demais), deixo aqui em todas as letras que precisam sempre ser corroboradas com atitudes, mas que é exatamente o que sinto neste momento em que saio e te vejo ali na minha cama: você é uma delícia.

Ah! E eu te amo muito também.

Saudade Boa Não Para de Bater

Hoje a saudade bateu arrebentando as paredes. Parecia que batia com raiva. De mim, do que eu fiz, do que eu joguei fora. A saudade esmurrou meu coração de um jeito que poucas vezes vi. E olha que eu já vivi um bocado, já senti um tanto e sofri outro cadinho. Já passei por poucas boas que você sabe bem porque ninguém chega sem história. Ninguém chega sem uma vontade que ficou pelo caminho ou um “eu te amo” que se transformou num “eu só quero ser seu amigo” que dilacerou o juízo. Hoje a saudade me fez querer inventar uma máquina do tempo para refazer os passos desde o primeiro dia em que cruzei o teu portão e subi com ansiedade o elevador e me deparei com teu sorriso na porta. Pra voltar ao mesmo ar que a gente respirou naquela sala em que a tensão elevava as vontades e a química foi tão fácil que eu só posso acreditar que nossos corpos foram feitos no molde um do outro para que o encaixe fosse perfeito como foi. Como era. Como ainda é se estivéssemos juntos. Hoje a saudade de acordar ao teu lado já estava lá quando eu abri meus olhos e te vi numa miragem tão estranha que eu quase pude te tocar. Quase te beijei. Quase me declarei de novo como tenho feito no meu número bloqueado no whatsapp que fica como um s.o.s. no meio do oceano sendo que ninguém vai ouvir. E a cada vez que te busco nas mensagens arquivadas eu afundo mais um pouquinho. Vivo essa gincana de ver teu nome e procurar tua foto e pensar que um dia, por milagre, ela vai estar lá. Hoje a saudade deu tanto murro contra as lembranças que eu cheguei a ter dor de cabeça na certeza de que mesmo cansada ela não pararia de bater. E bate. Agora. Contra a minha vontade, mas paradoxalmente nessa vontade de sair correndo de casa e passar na frente do teu prédio mais que as vezes que já passo frequentemente como se por alguma coincidência maldosa do destino eu fosse te ver ali. Parada. Com teus cachorros. Com teus cachos. Com teus dentes. Com tuas pernas. Com tuas poses. Com teu sorriso que, se me visse hoje, não apareceria. Talvez eu esteja querendo fazer algo enquanto existe raiva. Antes que vire indiferença. E cá estou sentindo o peito crescer para fazer caber essa falta tua que só aumenta e pede por mais espaço. Sinto quase um sufocamento, mas o alívio vem quando destilo as palavras pelos dedos que antes roçavam tua pele, mas hoje sentem o teclado frio vomitar as verdades que preciso ler: você não vai voltar. E é por isso que a saudade continua esmurrando, batendo, aumentando, fazendo poesia nos rebocos do nosso sentimento inacabado. Dizem que o pior é terminar gostando. Amando. Acho que não. Acho que o pior é terminar com esperança. Esperança que já está em pé na porta para ajudar a saudade a bater mais um pouco.

[ Gustavo Lacombe ]

Peguem-se no Carro

Nunca deixem de se pegar no carro (se vocês tiverem um disponível) porque essa é uma fase gostosa do relacionamento. Muita coisa ainda é “proibida”, as descobertas estão aparecendo e os dois tem uma vontade louca de ficarem mais cinco minutos juntos. Não subam direto pro apartamento ou entrem correndo na casa se for o caso. Fiquem ali nos beijos, nos amassos. Mesmo quando vocês já tiverem mapeado e tabelado o preço de todos os motéis da cidade. Aquele banco do carona, aquele banco de trás, aquele vidro embaçado. Aquilo tudo que diz muito sobre o desejo incontrolável que, com o passar dos lençóis, pode ir caindo no esquecimento. O fogo vira água fria e a monotonia é um convite à desconfiança. Então, se eu tivesse que dar um simples conselho, seria esse: continuem se pegando firme no carro. Ou se provocando em lugares inapropriados. Ou mandando mensagens salientes. Ou tendo uma postura de quem até sabe que já conquistou, mas quer mostrar um pouquinho mais do tanto que gosta. Vocês não vão conseguir morar num “eterno início “, mas certamente vão prolongar o ardor das chamas que mantém vivo qualquer casal disposto a ser bem mais que um rótulo. E obviamente poderia dar outras dicas, mas escolhi essa pra virar texto por agora. Espero que vocês a aproveitem e não desperdicem o Amor que tem ou poder vir a ter nas mãos. 💛 #GustavoLacombe https://www.instagram.com/p/CHyicaoJ1-T/?igshid=dvslxard130o

Enquanto Houver Noite

Eu não sei quando eu comecei a te amar ou porquê eu te amo, mas sei que sou grato pelo Amor atender ao teu nome e por todas as histórias que já colecionamos juntos. Relação se faz na incrível capacidade de montar tijolinho por tijolinho. E olha nós agora com um lugar pra chamar de nosso. Eu não esqueci tudo que deu errado nem fechei meus olhos pros meu erros também, mas te dei a mão com a certeza de que todo mundo merece uma nova chance de ser feliz. Você me aceitou, eu te abracei, você me ganhou, eu te recebi nos meus lugares mais íntimos e todo medo que ainda restava (ou resta e fica pra me alertar de algo) se dissipa na coragem de viver algo bonito que eu já compreendi que não é eterno. Amores são bonitos porque vivem no risco da morte, assim como a vida. Acredito que seja por isso que muitos de nós fazem do Amor uma busca: ele que move num sentido amplo e ele que ressignifica a vida quando acontece no outro. E eu aconteço cada vez que você me olha e sorri ou me liga e diz seu olá com muitas vogais. Você é essa primavera em gestos e verão num corpo que eu gosto e me incendeia. O futuro sabemos que a Deus pertence, mas vivo a expectativa construtiva de te ter quando meus próximos anos se empilharem no meu presente e me fizerem soltar com razão a frase que hoje falamos por brincadeira: tô velho. Pra algumas coisas, talvez já esteja, mas pra te amar estarei sempre novo em folha. Enquanto houver dia, me abraça. Enquanto houver noite, meu bem, me beija. Enquanto houver vontade, sejamos. 🌻

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Energia é Tudo

A gente quebra a cara e se ferra? Sim! Muito na vida! Mas depois de um tempo descobre o que vale ou não vale a nossa energia. Aprende que não é todo mundo que merece uma resposta nem todo sentimento que precisa ter recíproca. Situações passam a incomodar menos e uma boa briga ganha um significado completamente diferente. Chega uma hora que a nossa paz de espírito é o maior privilégio – e não será uma pessoa de mau humor num dos seus muitos dias ruins que ira estragar isso. Não, isso não quer dizer que a gente fecha os olhos pra tudo no mundo e fica insensível. Quer dizer apenas que a gente sabe julgar melhor onde está se metendo. As relações são mais leves e se adota o lema “fica quem ficar, quem nao quiser que vá com Deus”. Eu, particularmente, acho que tudo deve ser assim. Investir energia e tempo e amor e dedicação só naquilo que merece. Ah, e os fios brancos também, né? Porque até a preocupação ou estresse a gente aprende a administra. O sorriso destravado e frouxo é o que importa. Depois de um tempo a gente percebe que ele tá passando e que viver se importando com coisa pequena é bobagem. O que vale mesmo, de verdade, é ser feliz sem mais.

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Aprecie o Processo

Estamos todos ainda aprendendo, criança. Viver não é fácil, ainda que muitos possam ter dito que seria moleza pra você. Pra alguns poucos, talvez. Pra imensa maioria, não. Levamos porrada de todos os lados e vamos evoluindo como o ar numa panela de pressão. É preciso abraçar o processo – o que muitas vezes envolve a experiência de acolher a palavra “dor” em nosso vocabulário. Damos adeus para as coisas, dizemos olá para outras, mas logo observamos o sistema de partidas e chegadas e falta de sorte em ter mais partidas que chegadas. Vamos desejar parar o tempo, voltar o tempo, não querer saber do tempo, mas não vamos conseguir. Vida é movimento. Apreciar a vista às vezes parece loucura. Que seja. Mas que você também perceba que pode se transformar e, uma vez mudado, pode ir a qualquer lugar. Existem escolhas, sim, que nos prendem pra sempre, mas enquanto formos livres, voar sempre será uma opção. Que você não demore a perceber suas asas. Que você seja resiliente – palavra bonita e necessária. Que você viva, que continua sendo mais proveitoso que apenas sonhar.

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E se fosse o último dia?

Eu não gosto muito do ditado que nos sugere viver o presente como se fosse o ultimo dia de nossas vidas. Acho que ele não comporta todo um contexto mais complexo, mas ditados são assim. Generalizadores. Mas eles nos deixam pensando. Se hoje fosse, realmente, o último dia, o que será que faríamos diferente? O que será que teríamos feito diferente? A pandemia nos trouxe, além do receio de nos infectar e passar essa doença para alguém próximo que amamos, uma perspectiva nova em relação a tudo já vivido. Valeu a pena? Estávamos indo para a direção que queríamos? Trabalhando com o que e como sonhávamos? O que realmente ficou? O que ainda nos move? Eu não acho problemático fazer perguntas e rever trajetórias, mas acho super importante saber a diferença entre estar acomodado e estar feliz – um exemplo. Talvez ainda tenhamos muito a viver (tomara!), mas como nada neste plano é certo, essa é a chance de mudarmos. Repensarmos. Ser feliz pode ser uma construção abstrata ou difícil de apalpar, mas acho que passou da hora da gente rever, refazer e reafirmar tudo em nossas vidas. Não tem problema algum mudar de direção agora. Até porque, se não for agora, você vai esperar até quando? Até quando vale se adiar? Resposta: quase nunca vale.

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