Tartarugas Até Lá Embaixo

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Acabei de ler “Tartarugas até Lá Embaixo”, novo livro do John Green pra Intrínseca e é inevitável não comparar com os outros depois de você ter lido mais de uma vez cada um dos livros.

O livro é bom? É. Médio. Assim, Aza Holmes tem suas crises de ansiedade e se tem uma coisa que Green faz bem é nos deixar ansiosos juntos com ela. Lembrei insistentemente de uma música do Marcello Gugu que fala sobre crises de ansiedade e como que nunca é a besteira que os outros pensam.

Talvez por isso tenha dado uma chance a Aza. E se tem outra coisa que o livro nos faz refletir bastante é sobre a condição de julgar as batalhas que as outras pessoas travam. Aliás, sobre como NÃO temos condição alguma de julgar as lutas internas de cada um.

E de como precisamos lidar com os nossos próprios monstros.

Green tem seu estilo. E eu gosto. Ainda assim, não acho que esse livro tenha sido o seu melhor. Também não quero dizer aqui que é um livro para não ser lido. Se você conhece alguém que sofre de crises de ansiedade, vai conseguir entender melhor o mundo dessa pessoa. Ou dando o livro de presente talvez a ajude entender que isso não é um defeito de fabricação: é apenas um dos bilhões de jeitos de qualquer pessoa.

Imagino que ele seja um livro interessante para os jovens. Muitos desses que estão construindo sua personalidade, que sentem intensamente e que ainda estão entendo o que é conviver em sociedade e a complexidade disso.

Dentro do gênero em que se insere, “Tartarugas” cumpre seu papel de dialogar bem com seu público e expor uma condição que muitos acham bobeira. A trama por trás dela – o sumiço de um bilionário e as aventuras de duas amigas para conseguir pistas que desvendem o seu paradeiro, chega até a ser esquecida em algumas partes.

O drama humano é bem maior.

Não pretendo virar crítico literário, só pretendo ir comentando aqui os livros que eu for lendo ao longo de 2018.

Quem tiver sugestão de leitura, pode deixar aqui nos comentários!

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Já Me Esqueceu, né!?

Ela abre uma rede social e vê a foto do ex com a atual. Ri depois de se comparar com ela e pensa “me trocou por isso!?”, mas logo para. O sorriso no rosto do casal incomoda e ela manda “JÁ ME ESQUECEU, NÉ!”. Rola um sentimento de posse ruim nessa hora. O amor vivido não foi esquecido, mas o que se sente é um misto de ódio em ver que ele seguiu e prazer em saber que ela é mais bonita. Mas o sorriso continua ali. Não, nada diz que eles são namorados, há quanto tempo se conhecem, mas ela já presumiu aquilo tudo. Acha até que já viu aquele rosto em alguma foto com ele antes, mas não consegue se lembrar. Arquiteta universos inteiros só com a sua paranoia e cria mundos completos só com as besteiras que sua imaginação é capaz de contar. Pensou em ligar. Pra ele. Acabou conversando com uma amiga que mandou: lembra daquele suplemento que você comprou que vinha dizendo “para melhores resultados tenha uma dieta balanceada”? Então, a própria embalagem já dizia que nessa vida não existe milagre. A perna não vai engrossar sozinha, a barriga não vai chapar sem dieta e, acredite, teu coração não vai esquecê-lo de um dia pro outro. Ela riu da analogia. “Que horrível”, falou, mas viu que era verdade. Quando terminou o relacionamento, cortou o cabelo, voltou a correr e decidiu se cuidar mais. Tinha dado certo. Sentia mais gente olhando, mas o sentimento ainda resistia. Talvez aquela foto tenha servido pra alguma coisa. Pra motivar a se abrir, a viver coisas novas. Perguntou qual era a boa e foi embora pra casa da amiga levando uma mala de roupas. Sim, uma mala pra uma noite. E, naquele dia, bloqueou o ex, como quem precisa de uma camisa de força para não esticar a mão ao que vicia. Bloqueou, sim, e não viu, meia hora depois, que ele tinha editado a legenda e escrito:

parabéns pela formatura, prima!

[ Gustavo Lacombe ]

Quem Teme a Saudade?

Tem gente que ouve a palavra “saudade” e já sente um arrepio. Tem quem morra de medo de senti-la depois de um encontro, de uma pessoa distante ou de alguém que “não vale a pena”, mas é impossível controlar o sentimento. Saudade, pra mim, aparece depois que valeu ter vivido algo, valeu ter conhecido alguém e que representa os momentos marcantes da nossa trajetória.

Saudade é a certeza de um lugar para onde voltaríamos, de alguém a quem nos entregaríamos e até mesmo os passos que daríamos novamente para chegar onde chegamos. É atrelada à dor porque pode aparecer em momentos inoportunos. Pode não ser tão bem recebida em diversas ocasiões, mas vira e mexe vai nos fazer ver que um coração que não a carrega é um coração que não viveu nada de incrível.

Como um defensor da arte de “se entregar” e aproveitar a vida sem medo de ser feliz – e sabendo que se machucar é apenas um lado dessa moeda, vou continuar olhando com carinho para a Saudade e levando bem ao pé da letra o que diz Gonzagão na sua música. Lembrando por lembrar, vemos que foi até bom. Mas se a saudade amargar, a gente canta. Espanta os males, faz rima, verso, liga.

Se declara. Vai atrás.

Compreendo que existe também a saudade por quem já partiu e de momentos impossíveis de se viver de novo, mas pra todo Amor que ainda dá pé e que deixa o sabor gostoso de saudade no corpo, eu digo: vá atrás. E pra quem não gosta de tê-la, nada melhor do que transformar um “eu tô com saudade” num “desce que eu tô aqui embaixo”, “vem que eu tô aqui fora” ou num “não deu pra esperar até amanhã, vim hoje”.

Se não há remédio para ela, que pena. Mas aos que podem acabar com ela, que não tenham piedade. Dissolvam a saudade num beijo, num abraço ou até numa simples ligação, mas não deixa nunca que uma saudade fique entre você e quem se ama.

Mate-a com ainda mais Amor.

(Gustavo Lacombe)

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Arame Farpado

Saudade é um arame farpado que, sorrateiramente, vai envolvendo o Amor. Depois de abraçá-lo, passa a apertá-lo com toda a força característica dos sentimentos que nada tem a perder. Ela sabe que um simples encontro a faz acabar. Então, aproveita cada momento que pode para machucar, sufocar e marcar o peito. Mas é quando a Saudade pensa que está prestes a vencer – com a certeza digna de uma péssima vencedora que se transforma em perdedora de última hora – ela vacila. O Amor, se fazendo de morto, tira uma carta da manga (seja ela um telefonema, uma carta antiga ou uma loucura), e se afrouxa do estrangulamento. Retruca a vil investida e ganha forças. Resiste o suficiente para agüentar até a próxima troca de olhares, até o próximo encontro, próximo beijo, desejo. Até, enfim, se livrar da dor que a falta traz. As marcas cicatrizam e ficam como troféus da resistência.

Forte é o amor.Girassol_Arame_farpado_by_dullafoto

Alguns Términos São Livramentos

É muito estranho ver alguém se distanciar e dar mais alívio que saudade. Alguém que era tão próximo, que sabia tanta coisa de mim, mas que foi apertando tanto a rotina que sufocou os pensamentos, diminuiu todos os espaços e acreditou que cercar alguém era amor. Era, sim, mas… sei lá. Fica um gosto esquisito na boca do fim. Entendo quando alguém me olha e diz “você se livrou”, mas não é assim que o coração percebe a realidade. Entende? Talvez alguns dedos apontem e digam que era abusivo. Abusivo uma ova. Problemático, quem sabe, mas eu fui me sujeitando e, quando vi, aceitava coisas porque gostava. Aqui, mais uma vez, dirão “abusivo”. Ainda me parece estranho. Vi uma vez numa revista que algumas pessoas vivem essa situação e não percebem. Precisam que alguém de fora diga, mostre e, em certos casos, tire daquela realidade. Mas por quê? Se o outro me prometeu mudar, por que não acreditar? Cheguei a me comparar várias vezes com várias outras amigas que viviam coisas piores. Nunca apanhei, nunca deixei de sair. Tinha que aturar ciúmes e desconfianças, mas que casal não passa por essas coisas? Quando eu dizia que era “complicado” terminar, muita gente me falava que eu é quem complicava tudo. Não sei. Sei que hoje me sinto assim, com mais alívio na alma do que peso na consciência. Mais vontade de viver essa nova fase do que saudade do que passou. Ficam as lembranças, claro, mas não consigo deixar de achar estranho. E pensar que, no final das contas, nem fui eu quem colocou o ponto final. Vai entender. Talvez fosse tão maluco que tudo foi meio fora de lugar e de ordem. Talvez eu tenha me livrado mesmo, falta apenas descobrir.

[ Gustavo Lacombe ]

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Desce Que Eu Tô Te Esperando

Eu tô parado na porta do teu prédio sem coragem de dizer “desce”. Então, resolvi escrever. Resolvi dizer que eu não tô aqui embaixo tentando te convencer a nada, mas tentando mostrar que eu gosto. Não falo que é pela enésima vez que eu faço isso porque a proposta hoje é justamente outra: viver o começo de nossas vidas deste ponto em diante.
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O que passou vai ficar de bagagem, certamente, mas não será o bastante para que ofusque o nosso sorriso. Acredito que um dos grandes problemas que as pessoas levam seja o fato de que passados mal resolvidos e sentimentos deixados à míngua sem suas devidas decisões continuam reverberando e causando estragos no tempo presente.
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E fica impossível seguir.
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Então, ao entrar no elevador, venha certa de que tudo poderá continuar no mesmo lugar e as cores ainda serão as mesmas, mas nossos corações terão mudado e nossos olhos passarão a enxergar tudo de maneira diferente. E mesmo que no início não pareça, com o tempo e a prática nós conseguiremos. Eu tenho certeza que só a vontade de fazer dar certo já é mais que meio caminho andado.
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Minha mão estará aqui nos piores momentos. Meu ombro, meu colo. Meus pés poderão servir de apoio e não duvide e um dia for preciso te tomar em meus braços para que você perceba que nenhum medo será maior que nós. Não vamos conseguir mudar o Mundo, mas teremos chance de mostrar a todos o poder do sentimento.
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O maior exemplo que se precisa.
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E se mesmo dizendo tudo isso ainda for preciso admitir o óbvio, admito que estou tão nervoso que não sei como simplesmente dizer “te quero comigo”. Quero e não há outro desejo tão forte quanto este. Eu quero que a Vida siga, mas quero que ela siga com você. Tô aqui.
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Desce?
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[ Gustavo Lacombe ]

Tudo Aquilo Que Camuflo Pra Não Dizer Que Te Quero

Eu ainda me perco no teu olhar toda vez que encaro tua foto. Fico parecendo aquelas carinhas de celular escondendo o rosto. E confesso que abro algumas redes sociais só pra mergulhar mais uma vez nos teus olhos – com o cuidado de não dar bandeira claro. Já imaginou se te ligo por engano? Esse querer escondido, fruto de uma vontade que eu nem sei de onde veio, parece estar em tudo que eu vejo e que me faz lembrar você. Longe de ser uma obsessão, mas um vício gostoso que eu gosto de ter.

E não consigo escancarar.

O medo de dizer como eu me sinto parece esbarrar na certeza de que o “não” (que eu já tenho) se materializará. E eu sou péssimo para lidar com rejeição. Sou péssimo em me abrir e ter que ver o outro dizer que não preciso revelar esse tanto de coisa. Sou pior ainda pra aprender a desfazer as minhas certezas. E eu me agarro à dúvida antes de saber que você realmente não me quer.

As coisas que te falo e depois emendo com um “tô brincando” apenas refletem o espírito de quem não sabe como chegar e dizer “olha, eu queria uma chance de te fazer feliz”. Uma, que seja. E que, entretanto, ensaia todos os dias isto diante do espelho. Na minha platonidude, podendo ser objeto direto da fala de Platão e seu olhar de desejo ao que não se tem, miro de longe quem eu queria ter tão perto. Continuo torcendo para que o teu sorriso mantenha-se aberto – como eu sempre gostei de ver.

E como eu adoro saber que está.

Se um dia, por fim, eu criar coragem de dizer, espero ser capaz de te fazer compreender que sempre existiu o medo que converte todo lindo sentimento em segredo. Só que não adianta. Um dia, eu sei, diante de tudo que transborda em mim e que sinto ao estar junto a ti, vou acabar deixando escapar em sussurro tudo aquilo que camuflo nos meus “bom dia”, “você tá bem?” e “se cuida”. Tudo que eu nem preciso dizer, visto que os olhos já brilham quando eu estou com você.

[ Gustavo Lacombe ]