80 dias sem ela

O começo é doloroso, sofrido, mas passa. Aquela sensação de que nada vai se ajeitar e que o tempo é totalmente seu inimigo desaparecem. A verdade é que ficar olhando pra parede não resolve muita coisa. Tem que sair, ver gente, ligar pros amigos e esvaziar a cabeça, ou enchê-la de outras coisas ou preocupações. Só não dá pra pensar e repensar em alguém 24 horas por dia e esperando que a televisão te responda o porquê de vocês não estarem juntos. A televisão só vai te entreter e mostrar casais muito mais felizes do que vocês poderiam ter sido.
Quando chegar uns quinze/vinte dias de separação, ou tempo (interprete como quiser), as coisas ficam mais naturais. As caixas de lenço de papel espalhadas pela casa começam a se transformar em roupas que você naturalmente já jogava pelo caminho antes de tomar banho. Os porta-retratos com as fotos já foram guardados, as coisas esquecidas foram pra uma caixa e a casa passa a não mais te lembrar que ali houve um amor, apesar de você olhar pra todos os cantos e enxergar aquele sorriso brotando do nada.
Um mês, um mês e meio depois, entre saudades, dores no coração e apertos na alma, você se toca de que nunca mais houve contato entre vocês. Por mais que os dedos coçassem e os olhos fixassem aquele telefone na cabeça, não houve uma ligação sequer. Se vocês superaram? Peraí, estamos longe disso. Aqui nem ao menos é o meio do caminho. Aliás, aprendi que em histórias assim não existe meio, fim, apenas o início, que é certo. Entretanto, se quiser usar a teoria de vidas passadas, almas gêmeas, aí o início também se perde. A única coisa que existe é uma história de amor. Se está mal contada, mal resolvida, aí é com vocês.

Longos 60 dias se passaram. Mas foram voando, certo? Não, sim? Depende de cada um, das atividades. Enquanto um joga bola pra se distrair o outro vai estudar. Enquanto prepara um brownie com a receita que ela deixou o outro vai ouvir a musica que lembra dele. E eles vivem aquela coisa de presenciar momentos que lembram o passado tão presente e que queriam que se tornassem o futuro. É uma confusão. No meio disso, amigos tentam explicar que o melhor é esquecer, que ficar preso àquela carga de sentimento não é uma coisa boa.

70/75 dias depois, quase dois meses e meio, ou isso, a vontade bate com tudo. Vem do nada, enquanto toma banho, faz a unha, escreve um texto, conversa com a mãe, abre a geladeira, tropeça e cai, levanta um peso na academia, comete um erro de português na frente dos amigos, erra uma baliza na rua, paga a conta do supermercado, é assim, do nada. A vontade explode de uma maneira nunca vista nesse intervalo. Não dá mais.

Completados 80 dias sem ela, ele manda uma mensagem. Completados 80 dias sem ele, ela não se contém de felicidade ao ver aquela mensagem. Depois um e-mail, um telefonema, uma visita ao outro. O que cada um fez nesse tempo, além de esperar o Tempo passar e sentir saudades, não os interessa. Se rolou algo com outra pessoa, se houve um flerte, uma paquera, nada disso era relevante. O que interessa é o que podem tirar de lição disso e construir juntos.
80 dias sem ela agora? Nem pensar.

 

G. Lacombe

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