Malsucedidos

Malsucedidos – G. Lacombe

Esqueci o telefone fora do gancho ontem. Tava conversando com um amigo e fui ver a comida que estava no forno e esqueci, simplesmente. Sei que você tentou várias ligar aqui pra casa e não conseguiu. Celular? Descarregou. Aí, coloquei na tomada lá no quarto e só liguei quando fui dormir. Vi suas ligações perdidas, mas já era tão tarde.

Eu dei uma saída. O pessoal da faculdade estava num boteco aqui do lado de casa e achei que não faria mal dar um pulo lá. Lógico que tinha algumas meninas. As meninas do nosso grupo. E você conhece todas. Fui pra esse boteco e não te avisei. Tudo bem, falha minha. Mas nem tudo eu vou conseguir lembrar de te avisar.

Acordei hoje e a primeira coisa que eu lembrei foi de fazer uns trabalhos. Tinha coisa pendente, eu tinha que fazer pra “ontem” e minha manhã assim foi ocupada por outras coisas. Na hora do almoço eu fui correndo pra casa da minha mãe. Reparei que a sua mensagem da noite passada tava lá, malcriada e me pedindo pra te ligar assim que desse, mas eu fiquei com medo da bronca. Eu não tenho mais cinco anos, só que não gosto de levar esporro de graça.

Só te liguei agora, de tarde, pra explicar tudo isso. Cuido com muito zelo da gente. Quero ainda ficar contigo por muito tempo, mas entenda que nem tudo vai sair do jeito que a gente planeja. Não faça tempestade num copo d’água. Se eu errei, só me aponte o que fiz e eu pretendo melhorar. Com seus toques eu quero evoluir como pessoa, como homem para melhor te atender.

Tudo começou numa série de eventos malsucedidos, só que não precisa ser o atestado de que tudo desandou.

Publicado por

Gustavo Lacombe

Gustavo Lacombe, trinta e um anos seguindo com uma vontade de escrever sendo lapidada todos os dias com muito suor e ideias. Tem a certeza de que será preciso quebrar muito a cabeça até conseguir chegar a algum lugar. Escreve por esporte, paixão e prazer - foi assim que fez seus quatro livros. Carioca da gema, acredita no amor bonito, ainda que o amor tenha diversas facetas não tão bonitas assim. Romântico, corredor de fim de tarde e feliz proprietário de um bom violão. É no blog, na página (fb.com/GustavoLacombeTextos) e no instagram (@glacombetextos) que, volta e meia, despeja o que lhe inspira, expira e vive. Ou queria ter vivido.

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