Del.

Del. – Gustavo Lacombe

Primeiro ela resolveu deletar. Deu um fora, uma bronca, virou as costas e ligou o foda-se. Fez o certo. Disse que ia, pediu (quase implorando o contrário) pra não vir atrás e se foi. Em algum lugar daquela cabeça, aquilo era o mais apropriado a se fazer. E era mesmo. Ficar enrolando, sendo enrolada e sem uma perspectiva? Ah, não, violão! Aquilo era demais até para um coração entregue e nas mãos da outra pessoa. Se valorizar acima de tudo, né?

Deu um tempo e nada aconteceu. O diálogo ficou mudo e parece que a cena toda feita tinha sido um favor. E pode ter sido mesmo. Eu, como escritor que imagino a situação inteira, posso adiantar que da parte dele foi um alívio, da dela também. No fundo, aquela relação arrastada, parecia prender os dois a um passado que teimava em ficar no presente. Quem sabe no futuro? Mas o futuro (o tempo, o tudo, o amanhã) a Deus pertence. Então, nada de fazer previsões!

Assim, se passaram os segundos, os dias, as semanas e alguns meses. Se fosse ano que vem, poderia escrever que até ano se passou, mas ainda não. Vamos pensar que o caso é recente, ok? Então, nesse intervalo ela se descobriu. O tempo inteiro com ele parece que escondia toda a beleza que ela tinha para dividir com o mundo. E ela era e é poderosa demais para se esconder atrás de um carinha sem futuro. Um qualquer. Ela precisa mesmo é ter os homens como enfeite. Ele? Ainda é aquele carinha sem futuro, eu acho.

A lição que ficou nessa historinha aqui? Bom, você pode tirar um monte. Pode vir com aquela que “ex bom é ex morto, sumido ou fugido”. Pode falar que ele deu mole pois não viu o potencial da menina que tinha com ele. Pode dizer que ela tava certa, só deixou de estar quando começou a postar indiretas no Facebook pra dizer que agora é a Rainha da Night. Você pode se abster e, no fundo, achar que esse foi só um texto merda. Pode tanta coisa na grandeza do nosso livre arbítrio…

Só que, como escritor que sabe quase tudo, posso dizer que as pessoas deixam furos. Um ex, por melhor que você deseja que ele esteja, vai ter que estar sempre um degrau abaixo. Normal. E esse degrau, se for falso, também é válido. A outra, é que os sentimentos que dão pontadas no coração, seja na hora de ver uma foto, uma conversa antiga ou que nos faz agir por impulso, são os piores. São porque ficam, vão ficando, não se retiram. Verdadeiros mal-educados. Já mandamos ir embora, mas eles insistem em ficar, nem que seja pra deixar de ser amor e virar um odiozinho.

Não se preocupe, se ela hoje tá bem, com certeza o pé na bunda dele foi bem vindo. A gente tem que aprender a ver o lado bom das coisas. Ele? Garanto que de algum modo torce pelo sucesso dela. O dele é procurado e caçado todos os dias quando acorda e se depara com um dia inteiro pela frente. A verdade é que a melhor parte de um ex, quando não é pra ficar em forma de uma amizade saudável, é a parte em que ele some de vez.

Sem mais, Meretíssimo.

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