Entro pelo portão do seu condomínio e já começo a sorrir – Gustavo Lacombe

Entro pelo portão do seu condomínio e já começo a sorrir. O porteiro me identifica pelo rosto feliz. Informo o número da casa, digo numa resposta já automática e conhecida de todos que guardam a entrada. Algumas ruas restantes entre eu, você e nosso encontro. Mais um. O mais esperado.

Quando aponto na sua rua, procuro logo a sua porta e sempre me surpreendo quando já te vejo ali em pé esperando. Mesmo que seja rotina. Mesmo que seja o mesmo jeito de menina me encarando de fora do carro e a mulher que logo se senta no banco e diz que estava com saudade.

Enfim, chegou. Mesmo que a gente se visto ontem, amar não é isso de sentir saudades cinco minutos depois da pessoa ter ido embora? Um beijo e silêncio. A gente se olha, se estuda e vai analisando o que mudou em tão pouco tempo. Nada. Quer dizer. A vontade de ficar junto cresceu. E cresce. Como tinha de ser, né?

Aí, a gente sai. Qualquer encontro, qualquer coisa, um sanduíche, um boliche, uma praia, um samba, um cinema, um poema sob o sol poente, ou até mesmo namorar no carro na rua do lado. Aí, a gente volta. Qualquer filme na televisão, um brigadeiro, um edredom, um jantar só pra nós dois preparado de uma receita da internet, um abraço pra gente sonhar a dois.

Só que tem sempre a hora de ir embora. A fatídica hora em que vejo seus olhos ficando e o retrovisor do carro te diminuindo, até que eu dobro a esquina e não te vejo mais. Não importa se eu fiquei cinco minutos porque tinha que ir trabalhar ou o fim de semana inteiro, em questão de segundos já vai dar vontade de fazer tudo de novo.

Não é isso de querer voltar sempre pro mesmo lugar, pro mesmo cuidar, pro mesmo abraçar? Não é isso o amar? A gente bem desconfia que sim.

Anúncios