Sento em frente ao computador e vomito uma idéia. Eu gosto dessas assim, que saem inteiras de mim e nem ao menos pedem passagem pelo filtro das palavras. São essas aí mesmo, bonitas ou frias, cruas ou com erros, mas que preenchem o papel na melhor forma possível, com peso e vontade.

Difere da vida. Vivida de uma vez, como um poema que já tem todos os versos escritos no pensamento e apenas são transcritos para o papel, perde-se o gostinho de aproveitar cada momento dela. E pode achar estranho eu fazer minha caminhada com palavras que gosto de soltar sem medo, mas viver sem o mesmo acelerador.

Não é medo de arriscar, que fique claro.

De um modo geral, fico ansioso quando escrevo. Se tenho uma boa sacada, fico com receio de ter sido a última. Então, a agarro e vorazmente me aproveito dela. Calma, diria minha professora de literatura. Existem textos que pedem para serem jogados na gaveta.

Esquecidos? Talvez.
Frutos muito verdes precisam de maturação.

E que não me julguem. Eu adoro uma contradição. Tanto que, posso citar algumas coisas que escrevi e que só melhoraram depois de um segundo olhar, um tempo para crescerem e serem mais do que uma tinta jogada na tela à la Pollock. Porém, é divertido parir um escrito de vez. Os deslizes no português são a prova de que estava empolgado.
Do tanto de tesão que estava em fazê-lo.

Quando me empolgo na vida, acabo comentendo alguns errinhos assim também. E quem não comete equívocos por falta de atenção decorrente de uma excitação? Você não? Que sem graça.

Erra, cara! Aquele pequeno, perdoável, como um ‘s’ esquecido no plural de uma palavra grande em que se culpa o teclado. Ou uma palavra esquecida, mas que não compremete o entendimento. A vida é errar e aprender. Com desejo, claro, de sempre poder ter mais.

Teu melhor texto é tua própria história. Aí, sim, não a escreva de vez.
Estranho conselho se comparado ao que eu disse sobre meu modo de escrita, né? Eu te disse, sou contraditório.

Não ligue. Nem tudo na vida precisa ter tanto sentido assim.

( Gustavo Lacombe )

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