Sempre tive tudo na mão

Sempre tive tudo na mão.

Se não era tudo que eu queria, era muito mais do que eu precisava. Cresci no meio de uma família estruturada, tive uma educação boa e nunca me faltou o básico. Reclamar da vida nunca foi uma opção válida, mas por vezes me peguei triste. Talvez comigo mesmo por não aproveitar tudo isso, ou com a própria vida por se mostrar muito mais dura do que me fizeram acreditar. Aí, voltava a ficar triste comigo mesmo.

Tem gente que não se acostuma com “não” e, quando ouve, se acha injustiçado. Igual a mim existem milhares com tantos desejos e vontades, alguns até com os mesmos sonhos. O que me torna melhor? Nada. Muito pelo contrário. Ter quase tudo que queria me fez crer que meus objetivos poderiam me chegar apenas por os querer, como se num piscar de olhos tudo fosse acontecer. Jamais.

Crescer, como venho atestando, é muito mais complicado do que acordar cedo e ir pro colégio, voltar pra casa e almoçar, fazer a lição de tarde e esperar o fim de semana pra jogar bola. Viver, como já está provado, é só para aqueles que querem construir alguma coisa, aproveitar as oportunidades e inventar algum caminho pra seguir. Sabe os sonhos? Nenhum vai cair no colo.

Existe uma hora em que se escolhe entre ficar reclamando que já não se pode ter tudo na mão ou decidir em lutar e conquistar aquilo que se quer.

E eu já não tinha mais pra quem ou por quê reclamar.

( Gustavo Lacombe )

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