Embolados

Embolados

Embolados – Gustavo Lacombe

Eu me embolo em você.

Quando não são as minhas pernas que enlaçam o teu quadril ou suas mãos que cruzam minhas costas, é o agarramento da barba com o cabelo que não solta e provoca alguns risos. Parece que um ímã em cada um de nós exerce uma força surreal de atração para que não nos desgrudemos um minuto. É como se não quiséssemos esperar novos encontros. E quando distancia o físico, mais perto ainda se torna o pensamento.

É culpa do cheiro, que me pega desprevenido na rua e tira o meu ar. É culpa do jeito, que você faz questão de se encaixar no meu só pra me mimar. É culpa dos beijos, que me viciam e fazem eu me perguntar como fiquei a vida inteira sem a tua língua. É culpa do bem, que já nasceu avisando que viria com vontade de ficar e não mais largar.

É culpa do meu corpo que só quer você.

E quando bate a saudade? Me pego olhando pro nada, pra parede, pro alto, pra um ponto fixo qualquer pensando no que já fizemos. Lembro da roupa sendo jogada pro alto, dos passe-livres que mãos, bocas e desejos tem para passear por nós dois. É fogo que nem banho frio dá jeito. Só mesmo teu suor pra me arrefecer.

Ficar longe maltrata, ficar perto completa. Sem você o tempo congela, quando a gente tá junto é festa. Se te vejo num sonho, mas não tenho na cama, aperta uma coisa aqui dentro querendo sair correndo pra te ver. E pelos sonhos que eu já tenho contigo, já é certo que é você. Embolando minha vida na tua, embalando nós dois na pele nua.

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