Pelos Professores do Rio

Eu nunca entendi muito bem porque no Jogo da Vida – aquele de tabuleiro mesmo – o “professor” é uma das profissões mais desvalorizadas. Lembro de na primeira vez que joguei comentar o que hoje vejo estampado em camisas e gritado na boca de muitos por aí: não fosse o professor, onde estaria o médico, o advogado, o contador, o empresário? O pensamento logo passa e se assimila a hierarquia salarial estabelecida (no jogo e na vida real).

Ser professor é padecer no paraíso do ensino.

A profissão é a mais desvalorizada do Brasil. Muitos dos que começam hoje na carreira ganham um pouco mais do que o preço de uma bomba de gás lacrimogêneo (cerca de 800 reais). Imagine o seu salário correndo rua afora para te amedrontar. Sendo sincero, nenhum professor precisa de gás pra chorar. Olhar o saldo bancário e ver o quanto seu esforço é jogado no lixo já seria o suficiente.

Duvido que alguém feche os olhos e não consiga se lembrar de um mestre. Duvido que não se recorde de alguma passagem no ensino fundamental ou qualquer outro grau de ensino que valha a pena ser contado aos sobrinhos, filhos e netos sobre um ensinamento trazido por um professor. Duvido que passe incólume até as matérias mais detestadas.

Todo saber fez diferença na sua formação.

Aliás, se estuda cada vez mais para ser um bom professor. Cursa-se faculdade, faz-se pós, doc, mestrado, pós-isso, pós-pós-aquilo. Engraçado é que a um profissional de uma grande empresa é oferecido bônus e atrativos para que ele se qualifique mais. A um educador, o “muito obrigado pelos serviços prestados” já está de bom tamanho. Não há política que incentive a uma maior especialização.

Um país que trata do jeito que trata e não dá valor aos seus professores não sabe o problema que cria para si mesmo. Pra mim, o cara que ensina as primeiras letras e faz as crianças as juntarem para formar palavras deveria ter um dos maiores salários do país. Afinal, não fosse ele – e voltamos a estampa da camisa – onde estaria o médica, o advogado, o deputado, o empresário…

Afinal, não fosse o professor, onde estaria o Brasil?

(Gustavo Lacombe)

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