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Me despeço com um beijo e sei que demorarei longos seis ou sete dias para revê-la. Vai ser bom, ela diz. É, eu concordo sem muita vontade. Não sei, não, mas seis ou sete horas já estaria de bom tamanho para despertar a saudade em mim. Agora… dias? É muito, repito comigo mesmo. A julgar pelo olhar que me lança da porta do prédio, ela também acha que uma semana longe é um tempo bom distante de quem se acostumou a se ver regularmente.

É que ficamos mal acostumados com a proteção um do outro.

Dizem que uma semana longe de quem se gosta não mata ninguém. Falso ou verdadeiro, depende de como cada um encara, quais os motivos do “afastamento” e como será a volta. Claro, porque todo até logo já vem imbuído de um sentimento de querer retornar. E, assim que meu corpo notou que estava sozinho, já se programou para a contagem regressiva da chegada. Ainda que não saiba o momento certo, estabeleci um limite: até que a saudade me mate.

Não demorei para entender o que ela disse com o “Vai ser bom”. Estar sozinho é poder dedicar o seu tempo para os seus próprios projetos, seus trabalhos e obrigações. Não que ela me impeça de fazer tudo isso, mas o foco é outro. Acaba-se querendo sempre agradar e fazer coisas juntos. No fundo, todo mundo precisa de um tempo para si mesmo. Foi começar a mexer na minha bagunça que eu notei que aquele tempo seria bem-vindo.

Um, dois, três. Saudade batia à porta do peito. Não seria a primeira vez nem a última em que ficaríamos tal tempo sem nos vermos. Ao vivo, certo? Até porque, telefone existe, internet existe, skype existe… Não estaríamos em ilhas desertas e sem comunicação com o ambiente externo no meio de uma pesquisa com homens da era paleolítica. Seja pelo motivo que fosse, ainda saberíamos um do outro. Faltaria o carinho, o abraço, o beijo.

A tecnologia aproxima, mas não substitui a realidade do olho no olho.

E quando, finalmente, chegou a hora da gente se rever, notamos que vale a pena. Eu brinco dizendo que é um tipo de “desintoxicação”, mas ela não gosta. Responde atravessado que nosso amor tem que ser a cura, não o veneno. Ah, morena, não faz essa cara – digo rindo e a pego com jeito. Que se aproveite, então, os efeitos que um tempo distante provoca. Beijos longos, fogo no corpo e um quê de querer esticar cada segundo até a próxima vez que existir um hiato forçado.

Dizem que um tempo longe de quem se gosta não mata ninguém.
Verdade. Principalmente se você souber o que fazer com a volta.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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