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A calça bem que poderia ser 36, mas o riso dentro da 38 mostrava que estava tudo bem.

O famoso “Projeto Verão” e as promessas feitas de cortar carboidratos e o álcool duraram até o primeiro convite para tomar um chope com as amigas. Não resistiu às conversas que só elas tinham quando se soltavam numa mesa de um bar. Mais tarde, quando o namorado apareceu com um pote de sorvete de creme e um brownie feito por ele mesmo (graças a Deus tinha arrumado um cara que sabia cozinhar), esqueceu o que eram as calorias. Gastaria todas elas depois com beijos e os corpos suados no lençol.

E se sobrasse, sempre havia aquele banho a dois pela manhã.

As cantadas que se acostumou a ouvir na rua apenas atestavam o que as meninas do trabalho diziam. “Essa bunda chama atenção, filha”. Poderia ter mais peito, como poderia ter mais um monte de coisa. Pés menores, nariz mais fino, dois centímetros a mais de altura – sendo que outros dias desejava ser mais baixa, vai entender. Ou, por que não?, poderia ter mais dinheiro, brincava.

Sobre a silhueta, tratava apenas de se cuidar para manter aquele vestido e aquela saia cabendo. E não se importava em repetir roupa. Não ligava em eleger algumas peças favoritas e usá-las mais de uma vez. Mico, no seu discurso, era se endividar toda no cartão de crédito só para posar de socialite.

Sentia-se abençoada com o que tinha, e isso bastava. A vida profissional e pessoal caminhavam bem. Cada uma no seu compasso. Nada corria. Aliás, pressa pra quê? Mesmo assim, se algo estagnava, não tinha medo de dar um passo atrás para poder enxergar outros pra frente.

Sabia que era só mais uma no meio de tantas, mas sempre considerada única por quem tinha a sorte de conhecê-la.

(Gustavo Lacombe)

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