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Futebol é sentimento: amor, paixão, ódio…

É tanta coisa junta que se um homem (daqueles que domingo se sentam em frente à TV para assistir quase quatro horas de bola rolando sem interrupção) colocasse metade da dedicação que tem pelo time num relacionamento com a sua mulher, fatalmente existiria o “para sempre” inventado pelos contos de fadas e repetido pela Disney.

Não se precisaria explicar que “não é beeeem assiiiiim” que acontece.

Aliás, toda mulher deveria apoiar o time do parceiro. Se for o mesmo clube, maravilha. Se for outro, que não atazane o sossego do rapaz. Homem assistindo seu time do coração é igual cachorro na hora da refeição: se chegar perto demais morde.

Ela precisa saber que uma vitória ou uma derrota influenciam no astral da casa e, principalmente, da cama.

Como negar o casamento?

Na alegria (vitórias em sequencia ou aquela contra o maior rival) e na tristeza (queda pra série B, perda de clássicos); na saúde (haja coração, amigo!) e na doença (já vi muita gente de pé quebrado indo pra estádio); na riqueza (porque os ingressos tão caros) e na pobreza (já disse que os ingressos estão caros?); até que a morte os separe (ou nem isso – me enterrem com a bandeira do meu time, por favor!).

Se o amor pelo clube fosse como o amor à mulher, uma sequencia negativa de brigas nunca afastaria o casal. O rompimento nunca seria definitivo. E até nos piores momentos, os dois estariam juntos. A queda de rendimento sempre viria com uma crença de que tudo melhoraria, como um mantra estilo “eu nunca vou te abandonar”.

As alegrias de antes seriam lembradas todo dia. Não se jogaria fora as fotos nem se cogitaria quebrar porta-retratos. Guardada ao lado daquela já fiel em jogos decisivo, sempre haveria uma roupa nova para um próximo encontro. Que homem não gosta de desfilar com aquela camisa bonita recém-lançada com o número do seu craque? Mas já imaginou ele andando por aí com o nome e o rosto da mulher?

Valéria, minha camisa 10.

O homem sabe que seu time é o melhor e pronto. Ele não precisa cobiçar ter os títulos ou nada parecido que os outros tem. Não existiria o ciúme nem a traição. A mulher nunca o pegaria olhando pra outra que não fosse a dele.

Ê amor grande de pra sempre!

E bote fé que, se um dia o cara trocar um jogo do time dele por qualquer compromisso seu de família, ele é pra casar.

(Gustavo Lacombe)

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