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Não sei em que fase os casais diminuem a frequência do sexo, mas é sempre algo complicado de se lidar quando um olha pro outro e vê que não sente mais aquele tesão-a-toda-hora. Deve ser horrível. Pra eles. Digo isso não porque aqui em casa as coisas sejam totalmente diferentes e a cama tenha que ranger toda noite. Óbvio que não. Tão furadas quanto meias velhas, as desculpas de dor de cabeça e dia cheio também aparecerem de vez em quando.

Só que, como todo casal junto há um tempo, eu sei quais noites ela está ou não afim. Se o cara conhecer suficientemente a sua mulher e parar de pensar no próprio umbigo ou pinto, vai decifrar onde/como/quando/porquê ela quer sexo. E aí, sem importar qual o tipo será feito (amor, foda, rapidinha, etc), é só corresponder. E a lógica masculina é a mais fácil de ser seguida: dias bons merecem uma trepada para terminarem melhor ainda, dias difíceis merecem uma trepada para os tornarem dias bons.

Não se nega fogo.

No caso da minha Delícia (desculpa revelar seu apelido, Helô), os dias em que está mais necessitada são aqueles em que dorme de blusa e calcinha. Quer dizer, vem dormir assim. E não importa se está frio ou calor, ela coloca qualquer calcinha que deixe à mostra a bunda perfeita que Deus lhe deu e joga uma blusa de alcinha por cima dos peitos maravilhosos que o cirurgião vendeu pra ela. Se demora antes de chegar na cama. Pega um copo d’água, bebe na minha frente, me olha. Seduz.

Se toda mulher soubesse usar seus olhos, não precisaria dizer uma palavra pra ninguém.

Aí, puxa o lençol, se chega devagar e interrompe o que eu estiver fazendo só pra desejar boa noite. Como se eu não tivesse a visto já. Alerta ligado. Mas vem, tira a revista das minhas mãos, esconde o jornal, joga o celular pela janela, me acorda, qualquer coisa. Não importa. Ai de mim se reclamar. A rotina de trabalho faz com que nos encontremos somente à noite em casa durante a semana. Então, se ela quer, há de se dar atenção às suas necessidades.

Já quebrei dois óculos dela nessa brincadeira. Porque, no jogo de fazer charme, querer e me provocar, tem uma hora que eu a pego à força, passo a mão na sua cintura e prendo meus dedos em seus cabelos. Tiro os óculos e jogo na mesa de cabeceira. Quando eu acerto, beleza. Quando erro, ele se espatifa no chão e as lentes voam uma pra cada canto. Paciência. O show não pode parar e o quanto ela quiser eu preciso dar.

Agora, se ela jantar, tomar banho e vestir um pijamão – vixe -, nem adianta eu dizer a ela que eu tô com o tesão de trinta e cinco atores pornô. Não tem desenrolo e ela fica cheia de não me toques. Deita na cama, apaga a luz e, se eu fizer muito barulho, me manda dormir na sala. Fico na minha, mas dependendo do grau de estresse, no dia seguinte compro uma lingerie nova e deixo sugestivamente na gaveta dela.

Só pra ver se cola. E rola.

(Gustavo Lacombe)

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