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Os últimos dois dias se arrastaram. Quer dizer, a última semana parece ter durado o dobro, o triplo. Talvez seja isso que todo mundo chame de expectativa, que faz o espaço compreendido entre um jogo e outro se tornar eterno. Todos os encontros, afazeres, refeições e trabalhos foram feitos no automático. Era apenas um corpo vivendo seu hiato compulsório entre o último apito e o próximo. Alguém que anseia pelo palpitar do coração rolando feito bola dentro do peito.

Graças a Deus, hoje é dia de Flamengo.

Considero sorte estar em meio a massa que se espreme em ônibus, metrô e engarrafamentos para ocupar o terreno que é seu direito: o Maracanã. Tudo na minha rotina hoje foi deslocado de modo que a noite – tão cercada com os seus mistérios vindos do escuro – pudesse ser preenchida pelo clarão dos holofotes a iluminar o campo onde a camisa rubro-negra, mais uma vez, desfilará todo o seu esplendor.

Não sou dono de rituais, mas respeito quem acredite em sorte ou outros simbolismos que possam prever, antecipar ou contribuir para a vitória. Entretanto, se existe o ditado de que torcida não ganha jogo, certamente somos a exceção. Somos a voz de milhares que grita por milhões. Somos mais um elemento que se junta à terra da grama/tapete real, à agua que pode vir em forma de chuva dos céus, ao fogo das faíscas que sai das divididas entre os jogadores, ao ar que se acaba no grito de gol.

O Flamengo é uma força da natureza.

Quando acabar o túnel e correr para tomar meu lugar junto ao outros, terei a certeza de que todos os caminhos foram feitos para desembocar naquele final. O flamenguista é aquele que tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. É quem se veste com o vermelho e o preto e sente completo, como se a camisa fosse parte da pele. É quem reza fervorosamente, decorando desde cedo o maior cântico de sua religião e orando “Uma vez Flamengo, Sempre Flamengo”.

Não prometo os olhos secos, a pele inerte e as emoções controladas. Tudo em mim estará pronto para transbordar, arrepiar e extravasar.É o choro, é o arrepio, é o grito. De gol.

Graças a Deus, hoje é dia de Flamengo.

(Gustavo Lacombe)

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