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Eram quatro da manhã.

Eu estava na rua, claro. Eu e minhas amigas. Ah, esqueci de dizer, era um sábado. Alguns dirão que, na verdade, era domingo. Não ligo pra essa discussão, não importa o dia. Nem mesmo o horário. O que importa é o que aconteceu. Celular vibrando dentro da bolsa, bolsa em cima da mesa, parecia que vibrava o mundo. Não sei porque a Samsung fez um aparelho que consegue causar um terremoto cada vez que vibra.

Chamei atenção de metade do bar.

Já disse que eram quatro da manhã, né? Desculpa repetir, mas é que eu acho importante frisar isso. As meninas se viraram e logo perguntaram, com aquelas falas meio alteradas por conta ou da tequila, ou da capirinha, ou dos dois, quem incomodava e ousava perturbar uma “noite das amigas”. Quem?, disse com aquele jeito de quem já dava a resposta na pergunta.

Ele.

Ele é um cara bom. Bom de se ter por perto, de se ter falando coisas gostosas do no ouvido, bom de preencher o ego de uma mulher. E bem também. Bem apessoado (como diz minha mãe), bem de vida, mas, principalmente, bem casado. Tão bem casado que, vira e mexe de madrugada, me liga querendo assunto. E o problema é que eu deixo aquilo render.

Nunca esteve nos meus planos ser a outra de ninguém. Só que, quando a pele pede, ninguém segura. Eram quatro e meia. Um carro preto encostou no bar, o celular vibrou de novo – mas dessa vez no silencioso, pedi licença e fui embora. As meninas achavam um absurdo. Eu estava sempre ali, sempre à disposição. Era um brinquedo nas mãos dele. Besteira.

Ia porque, no fundo, uma mulher tem lá as suas necessidades. E não importa se era às quatro, ao meio dia ou às cinco e trinta e sete da tarde. Nunca se sabe quando bate a vontade. E nunca se sabe quando o poder de saciá-la vem te pegar em casa, paga o motel e depois te deixa em casa.

Eram quase oito da manhã.

(Gustavo Lacombe)

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