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dê o play e leia: Engenheiros do Hawaii – Pra Ser Sincero ( http://www.youtube.com/watch?v=rT_YdefBTPU )

Era a mão dela na minha e ao mesmo tempo era uma desconhecida tão amiga que já nem sabia o que era certo e errado. Crime perfeito era pouco, éramos loucos, dois doidos que queriam não deixar vestígios, mas levavam sorrisos como provas de que tinha acontecido. estava na testa a culpa. Estava no corpo a dúvida de que caminho seguir.

Estava feito o estrago.

Virávamos outra coisa depois. Eu, pra ser sincero, não esperava muito mais do que educação. Um aceno, um aperto de mão ou, no máximo, um beijo no rosto. Beijo que pegava fogo. Que fazia uma fogueira acender em mim, mas me jogava um balde d’água fria ao lembrar que não poderia externar nada. E, às vezes, ela fazia só pra me provocar.

Chegávamos a ficar um tempo sem se ver, cada um tocando a sua vida, seus projetos e seus sonhos. Parecíamos esquecer que éramos tão importantes um pro outro. Se não na frente de todos, no psicológico que apenas nós dois sustentávamos e nos fortalecíamos. A gente se afastava, mas era só cruzar os olhos pra tudo voltar. Podia ser numa foto, alguém parecido ou, simplesmente, no escuro da saudade ao fechar os olhos.

Pra ser sincero, era, sim, o crime perfeito.

Eram os mesmos defeitos e desejos que se igualavam e completavam de um jeito que ao passar da porta sumiam. Talvez a gente um dia pare pra pensar na explicação daquilo tudo ou até do porquê de não termos ficados juntos. Um dia, quem sabe. Enquanto isso, era só aquilo, vai ser só isso. Aperto de mão, apenas bons amigos.

(Gustavo Lacombe)

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