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Vou te complicar. No próximo abraço, pequena, vou te apertar mais que o costume e vou fazer tua boca encostar meu pescoço. Ali, duvido que teus lábios resistam à tentação que a eles se oferece. Do beijo premeditado, vou dizer alguma coisa no seu ouvido que vai ecoar pela sua cabeça e descer, lentamente, como uma mão atrevida passeando pela barriga até o pé. E depois eu troco de lado, sussurro outro segredo pra compensar o peso. Cada orelha leva uma mordida, uma confidência e um arrepio.

Vou dificultar as coisas pra ti, moça bonita. Assim que te pousar – no próximo abraço vou arrancar seus pés do chão – vou encarar seus olhinhos que já terão se aberto depois daquilo. Cronometrando os segundos em que mantemos contato, num passe de mágica vou sumir com o mundo ao redor. Não importa em que condições climáticas ou emocionais nos encontremos, só restará eu e você no ilusionismo da atração. Aos poucos, num redemoinho, tudo volta ao lugar. Meus braços, relaxando, começam a soltar o seu corpo.

Vou te decifrar mais a cada instante. Com medo que eu te descubra e te apresente a cura (apesar de não existir mal nenhum), você vai ensaiar um passo pra longe, uma repulsão instintiva de quem se sente caçado. Tua mãos, entretanto, ainda comigo em contato, vai ser puxada de volta num leve gesto de quem não quer te deixar ir embora. Agora de costas, ou meio de lado, meio torta, vai evitar me olhar. Nessa hora eu não prometo estar sem sorrir, menina. E quem foi que disse que eu deixaria tua presença feminina, que me desperta e contamina meu ar com um essência tão boa, rapidamente se afastar.

Vou te quebrar. Talvez você não entenda de onde surge a vontade onde só existia medo. Espera o pior de mim, e é bom mesmo que fique esperando. É que mudou alguma coisa, não em mim, mas em nós. E seria tão melhor se tivesse ficado como estava, né? Não. Seríamos cada metade da história vagando por aí, pequena, sem ao menos ter o vislumbre de imaginar para onde escoa esse sentimento.

(Gustavo Lacombe)

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