Me Abraça

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Não via um par de braços. Abertos, imóveis e esperando pelo ataque final, via duas garras que me prenderiam até me sufocar, ou onde eu morreria sem pestanejar. Os segundos que antecediam a queda pareciam intermináveis. Enquanto meu corpo ansiava, eu já imaginava o labirinto da fuga. No fundo, eu perderia a rota de propósito, alcançaria a saída um dia e, mesmo assim, apenas se tivesse que. Caía.

Ao ajeitar confortavelmente minha alma, mirava o céu que refletia nas suas pupilas. A mágica que brotava daquelas estrelas me fazia flutuar. Não sei se quem passava podia ver, mas não sentia de forma alguma meus dedos tocando o chão. Hipnotizado, arrastado e parte daquele mundo. Se do abraço eu não saía, do olhar eu não atrevia desviar.

Num meio segundo de susto, entre me dar conta de que era a caça abatida e ser feliz com essa posição, ouvi um chamado. As palavras que agora ressoavam pela minha cabeça pareciam conter e contar uma espécie de segredo guardado por gerações. Não espalhem, mas aprendi o significado de amar ali: no meio dos braços, com o olhar fixado e ouvindo calado aquela pessoa.

Torci. Torci o segundo para que ele durasse mais que o normal e para que o momento fosse eterno. Se a minha vida entrasse em loop naquele exato instante, eu não reclamaria. E ainda bem que não entrou. Assim, tenho a saudade para me mostrar o quanto são preciosos esses instantes ímpares. Ao vê-la, tenho certeza de que passo por tudo de novo. O laço em que me prende com o amor brilhando no olho.

(Gustavo Lacombe)

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