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Dois tiros.

Foi suficiente. Dois e fim. Se esvaía uma vida no chão, ia embora a morte e mãos de desespero na cabeça se confundiam com outras na boca e olhares perplexos ante o acontecido. Alguns diziam se tratar de um caso de amor terminando tragicamente. Um término, uma discussão, uma perseguição e, por fim, um assassinato.

Que me desculpem os que falam de crimes praticados com motivações amorosas, mas o amor não mata. No sentido figurado talvez, mas não é ele quem empunha uma arma, mira e tira todos os sonhos de alguém numa atitude impensada. Ceifa um sorriso, cala um coração. Não cabe mais tentar entender alguém que leva um lema tão covarde à sério:

“Se ela não for minha, não será de mais ninguém.” – Isso nunca será amor.

O pior é que todos os dias vemos casos diferentes. Nos supermercados, nos escritórios, nas ruas, nas boates, nas próprias casas das pessoas. Seja com tiros, explosivos, socos, facas. Que pessoa é essa que não aceita a decisão de outra? Que, ao invés de tentar seguir a vida, cuidar da saudade e procurar acertar mais à frente, se agarra ao passado e decide matar?

A separação dói, a falta dói, o querer voltar e não poder dói. Entretanto, NADA justifica a violência. Falo sem medo de errar: quem comete algo destrutivo contra alguém que dividiu uma parte de sua história, nunca de fato amou. Antes de querer pra si, um sentimento bom vai querer sempre o bem do outro.

Ainda que esse bem esteja em outras mãos.

(Gustavo Lacombe)

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