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Queria que um “eu” do futuro me visitasse.

Não precisaria dizer muita coisa. Poderia ser algo monossilábico. “Sim”, “não” ou “talvez”. Quem sabe até aqueles “hm” que aprendi a decifrar com algumas ex. Juro que não abusaria nem torraria a paciência com coisas infantis. Três perguntas, como os três desejos de um gênio da lâmpada. Acho que conseguiria me achar no meio de todas as dúvidas e deixar de fora todos os outros um milhão de questionamentos que tenho.

Olharia bem pra ele. Se bem que a aparência esconde muita coisa. A cara de cansado denunciaria que trabalhei bastante. Ralei. Um anel no dedo diria pouco. Se não falar nada, aquele pode ser o primeiro casamento ainda. Ou o oitavo, sei lá! Esperaria que, pelo menos, ele viesse com um sorriso. Não importa o tamanho da barriga ou das linhas de expressão no rosto, mas o sorriso seria fundamental.

Pediria um conselho, claro. Qualquer um. Nem que se resumisse a uma simples palavra. “Acredita”, “persiste”, “estuda”, “vive”, “ama”. Duvido que um “eu” do futuro me diria “desiste”. Claro que não. Se cheguei até lá, foi porque lutei por alguma coisa. Será pelo amor da menina que amo, do sonho que julgo impossível? Imagina se eu tiver que ficar mudo!?

Perco a língua, mas não perco a chance de saber.

Todas as respostas que posso ter numa conversa de cinco minutos chegarão a mim durante toda uma vida. E, não me iludo, algumas eu bem posso não ter ainda que tivesse duas. Acho, então, que todo dia escolho com qual futuro eu quero encontrar. Se é com aquele que desistiu de tudo ou com o que ousou conquistar, ou pelo menos tentou viver sem ter medo do erro e muito menos do acerto.

É isso! Se eu me visitasse, certamente diria “não tema”.

Faça o seu, o resto é consequência.

(Gustavo Lacombe)

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