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Sentei na cadeira do avião e pensei “puta merda, o que é que eu tô fazendo?”, mas eu sabia.

Sabia que tinha decidido ir até Brasília olhar na cara dela só pra ter certeza daquilo que sentia. Claro que eu pensei em nem deixar a aeronave decolar. Entre toda convicção que eu tinha de que aquele encontro era imprescindível e o medo de estar cometendo uma loucura ou uma burrice, deixava que o destino se cumprisse à maneira que eu planejei. Aliás, que eu comprei. Sim, porque o cartão de crédito que bancava aquilo tudo era o meu. Maluco eu ficaria quando visse o extrato e a vermelhidão em que se transformaria a minha conta.

Tinha que valer a pena.

Tinha que valer sair de São Paulo depois de tanto engarrafamento só pra poder estacionar no abraço dela. Não ousaria contar minha história pra ninguém. Quer dizer, alguns poucos amigos sabiam. Precisava colocar alguém como contato de emergência. Tive que abrir o jogo. Quando eles ouviram falar do encontro pela internet e da paixão avassaladora entre os dois, riram. Quando viram a foto – tirando a boa cara de espanto inicial com a beleza dela, me disseram que aquela não poderia ser uma mulher de verdade.

Que deveria ser um maníaco, já me esperando com garfo, faca e pronto para arrancar meus rins, córneas e vender o resto que estivesse bom no mercado negro.

A aeromoça passou recolhendo alguns copos, distribuindo balas de café (onde foram parar os caramelos?) e mandando colocar a poltrona na posição vertical. Não demorou e a pressão das turbinas me fez colar o corpo no estofado. Voo. E nem adiantava mais torcer para que desse certo. Se até ali tudo tinha saído conforme o esperado, era melhor deixar as expectativas em solo. A vida se faz nas loucuras que realizamos quando uma coragem insana nos invade. Pois bem. Eu estava ensandecido o suficiente para querer conhecer aquela mulher. Cintos apertados e estou indo.

Planando nas asas da história que eu mesmo escrevo pra mim.

(Gustavo Lacombe)

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