Bomba Atômica

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#DepoisdaMeiaNoite

A mão transpôs o short. Não podia. Apesar de todos os alertas ligados, sonoros e visuais, lá foi ela se metendo onde até tinha sido chamada, mas não propriamente convidada. A investida não duraria dois segundos até que outra mão, a da dona da coxa, a tirasse de lá. Com um tapinha querendo dizer “safado”, um sorriso insinuando “cachorro” e a boca falando “sem-vergonha”, fazia-se a senha para repetir o gesto em um outro momento.

E só aprende a medida certa quem alguma vez passou do limite.

Estamos no sofá da casa dela. Não sei exatamente que horas são, apenas que o almoço já passou tempo bastante para abrir o apetite pro lanche. A mania dela de ficar de costas pra mim se encaixando numa conchinha perfeita já tinha se provado um tanto excitante no cinema. Viraria um hábito nosso frequentar algumas das sessões mais tardes de filmes prestes a sair de cartaz só para aproveitar a sala vazia. Desta vez, a casa sobrava só para nós.

Eu ia levantar pra pegar alguma coisa. Disso eu lembro perfeitamente. O problema foi que, na hora de tirar meu braço que a enlaçava e pedir licença, esbarrei no peito esquerdo dela. Sério, de onde surgem esses ardores femininos que, num gesto involuntário, explodem num vulcão de tesão que não dão nem chance pro cara se armar? Quando dei por mim, lá estava ela me agarrando e chupando meu pescoço.

Mulher que tem iniciativa é foda.

Era quase um ménage entre eu, ela e o sofá. Claro, porque colocando a mobília como peça fundamental no jogo, é preciso reconhecer o seu valor. A minha blusa já estava no chão, a dela tinha ido parar no ventilador de teto e a gente ia se mordendo e provocando. Até que fui surpreendido pelo “não” quando resolvi a aproveitar a brecha que se abria entre o short a bunda dela. “Sem-vergonha”, ela repetia.

– Você não quer? – pergunta padrão.
– Quero, mas pra que tanta pressa? – pergunta retórica surpresa!

Pronto, estava feito o convite. Era apenas questão de tempo até o corpo dela atingir o aquecimento ideal e não aguentar ficar de roupa. Seríamos acusados de colocar fogo na casa, mas um casal com química suficiente para transformar um filminho com pipoca à tarde numa bomba atômica não deveria ser deixado sozinho.

E aquele sofá foi só nosso até o cair da noite e o cansar nos corpos.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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