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Meu problema é acordar.

Abrir os olhos e procurar em todos os cantos da casa vestígios ou resquícios da sua passagem. Saio do quarto, passo na sala, corro o olho na cozinha e logo acaba a varredura. Os poucos metros quadrados que dividíamos eram suficientes. O único coração que você ocupava também. Aliás, que ocupa. Pode até ser que não esteja por aqui, mas te sinto presente. Sua ausência grita no meu ouvido.

Meu problema é ir trabalhar. Bato a porta e penso em não trancar. Pode ser que você volte, queira fazer uma surpresa. Imagina se perdeu sua chave ou algo assim? Três segundos de indecisão e, instintivamente, rodo a fechadura. Meu subconsciente sabe que não vai ter volta. Cinco segundos depois – sim, sempre desse jeito cronometrado – eu já esqueci que tranquei. Quem sabe, quando eu voltar, você não esteja lá dentro me esperando.

Volto, encontro a porta trancada e a casa vazia.

Meu problema é dormir. A cama, agora triplicada de tamanho, não dá conta da minha insônia. Falta o seu abraço para relaxar meus músculos tão tensos e solitários. Falta o seu olhar e, principalmente, sua voz me desejando boa noite. Lençol? Lembro de um tempo em que seu corpo me bastava. Já nem sonho mais. Se não perco a noite acordado, pisco por umas duas, três horas e sigo para o dia seguinte pior que o anterior.

Meu problema é você. É ainda não ter entendido que você quis ir por livre e espontânea vontade. É ainda querer te achar nos lugares que eu sei que você não vai estar. Me disse com todas as letras “acabou”. Não sei se eu esqueci o significado da palavra ou se você disse algo parecido e eu entendi isso. Confuso? Você não sabe a confusão que tá minha vida.

Só que não posso ser o pior pra mim mesmo. Preciso aprender a aceitar. E, definitivamente, aceitar dói menos do que todo dia transformar sua tão desejada despedida em problema.

Quer saber?, meu problema sou eu.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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