Tod
Tome um porre de livros que a ressaca é de cultura.

Tenho tido bastante retorno do meu público. Muito obrigado – mesmo – a todos que me leem. Essa reflexão vai para o público jovem que me acompanha (a faixa de 18 a 25 anos é maioria entre os leitores daqui).

Fico feliz que esse retorno exista. Acho importante estar perto de quem gosta do que escrevo. Recebo constantemente e-mails, mensagens e afins demonstrando incentivo, carinho, dando ideias, ou até mesmo críticas que me ajudem a continuar o meu trabalho (por mais hobby que ele seja). Entretanto, nunca deixo de me entristecer quando percebo seguidos erros de português. Queria eu morar e viver num país em que os níveis de alfabetização fossem os mais altos possíveis e que as todas as crianças soubessem ler e escrever. Mais do que isso, que as pessoas conseguissem ler bons livros e escrever bem na sua língua-mãe.

Sei que temos bons livros. Meio caminho andado.

O que me assusta, então, é o fato de um jovem ter acesso a um computador, internet e, por mais precário que seja o lugar onde mora, condições de ter uma educação básica, mas continuar cometendo deslizes bobos no nosso tão combalido português. Veja bem, não quero que todos saibam a classificação das orações, o que são as desinências ou saber todos os tempos verbais. Nada disso. Nosso idioma é um dos mais difíceis do planeta, cheio de regras e leis que, muitas das vezes, são impossíveis de decorar. Só que escrever “de mais” e “concerteza” não dá.

Uma vez uma menina me perguntou como ela poderia melhorar a escrita dela. Lendo, eu respondi. O Brasil é muito bem servido de bons autores e consumir as suas palavras é um ótimo modo de assimilar vocabulário e enriquecer-se culturalmente. E o que apreendemos dos livros, ninguém nos toma. Mais importante que o grau de instrução que uma pessoa tem, a vivência e intelecto dela são a sua base. Portanto, jovem leitor, não tenha medo de aventurar por Machado de Assis,  José Lins do Rêgo, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Luís Fernando Veríssimo, Ruy Castro, entre outros.

(Essa lista, certamente, seria bem maior que esse post.)

Então, o prazer de uma boa hora de leitura é a única saída para se compreender melhor as articulações do português, além do benefício de escrevê-lo e falá-lo melhor. O objeto em si, o livro, é algo que vem barateando cada vez mais e é possível achá-lo a preços módicos em sebos. Ou, então, recorrendo a bibliotecas públicas onde se pode pegá-los emprestados. Na última semana eu comprei alguns livros (até lançamentos) e nenhum deles passou dos vinte reais. Mesmo sabendo que viver está com um preço alto, lembro que há coisas que o dinheiro não compra.

A sua educação é uma delas.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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