Tira o Olho do que é Meu!

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Segundo Proust, o grande amor só se sente no ciúme. Pode ser uma verdade para alguns, meia para outros ou, então, mais uma besteira dita por esses escritores que querem definir o sentimento. Enfim, não importa o que você ache de Proust, mas não se pode negar que ele está certo em alguns aspectos. Se é quase impossível estabelecermos conceitos divinos que não sejam logo rebatidos com alguns bons argumentos, que sejamos capazes de, pelo menos, defendermos nossas convicções. Assim, digo o seguinte:

Ciúme é uma merda, mas é bom. E o contrário também.

Talvez o amor em Proust seja aquele de homem para mulher, mas o ciúme (em si) é muito maior do que essa relação. Para não nos limitarmos: é muito maior do que a relação de um casal. Pode envolver irmãos, primos, amigos, etc. Ele nasce pela vontade de ter alguém só para si, sem querer dividir com mais ninguém. Causa aquelas reações involuntárias de demonstração de territorialidade, como aproximações repentinas do objeto, ou combustíveis para futuras discussões, embebidas de acusações sobre como o ser enciumado foi deixado de lado.

O bom do ciúme é que, de certa forma, ele atesta o sentimento. Quem nunca se pegou com um “ciuminho bobo” e, enfim, entendeu que gostava? Ratifica, mas conforme a intensidade, varia entre ser sutil ou possessivo. Uma coisa é tê-lo para com alguém que claramente quer “roubar” o que é “seu”. Lógico que as duas palavras estarão sempre entre aspas – e por motivos óbvios. Outra é não entender que uma pessoa precisa se relacionar com outras e que você não é a razão do viver dela. Amigos, parentes, ex-namorados, colegas de trabalho, conhecidos… Importando-se com cada um desses que chega perto, qualquer um pira em dois tempos.

Não vou falar de ciúme do passado, ok? Não ficar com alguém por ter ciúme do passado é doença.

Compreensível até certo ponto, pode ruir a estrutura inteira de uma relação por sua causa. Como um veneno para quem o sente, não se encontra lenitivo capaz de cura se usado em excesso. É preciso dosá-lo. Ainda há quem reclame da falta, mas, definitivamente, ciúme é uma linha tênue em que muitos confundem amor e carinho com posse.

Mesmo se fazendo uma concessão do coração, ninguém é dono de ninguém.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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