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Chegou ainda tirando a poeira do ombro. Poderia fazer outros trocadilhos como cheirando a naftalina, direto do túnel do tempo ou outros mais infames ainda. Mas o que realmente importa nessa história toda é que ele voltou. Me procurou, pediu licença e se instalou no mesmo lugar que antes havido sido dele. E não é que tenha sido preciso eu deixá-lo voltar. Todo esse processo é feito junto.

Ele tocou a campainha. Eu abri a porta.

Claro que é preciso enterrar muita coisa. Não sou de tapar os olhos pro que vi, mas sei que é desnecessário perguntar por onde é que ele andou, o que fez ou que viveu. Nesse meio tempo, o relógio correu tanto pra ele quanto pra mim. Vou dizer que fiquei de braços cruzados esperando? Estou querendo enganar a quem? A gente rabiscou amor por cima disso tudo e seguiu a vida.

Como era de se esperar, nem tudo está no lugar. Mas vai ficar! Sim! Por exemplo, confiança – algo que eu julgava não existir mais – se renovou, mas sei o quanto cada um precisa provar pro outro. O que ficou mal resolvido, e eu sei que todo término tem, vai virar força. Nunca deixei que se tornasse mágoa e não vai será agora, apostando que pode dar certo, que vou me levar por um pensamento traiçoeiro assim.

Olhos nos olhos, é assim que ele me trata. É assim que eu sempre quis ser tratada. Ele amadureceu. Talvez seja cedo pra dizer que mudou, mas se não tivesse percebido nada diferente não teria dado uma outra chance. Pode ser que eu esteja numa posição muito cômoda, mas sei o quanto também terei de me doar pra fazer acontecer. Acho que o primeiro passo foi dado.

Eu acredito no amor. No nosso.

Que sejamos felizes. Que tudo que precisa ser provado de ambos os lados seja pelo sentimento que renasceu. Que me traga sorrisos, que lhe dê coisas boas pra se lembrar e querer viver mais um dia comigo. Que nos faça, acima de tudo, bem.

Que a gente caiba no melhor pra sempre que houver.

(Gustavo Lacombe)

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