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A dor cicatriza lenta. Ou pode ser que nem cicatrize. Que fique. Exposta pelo sentimento que por vezes volta. A dor, ainda que superada e não mais lembrada, lateja quando chega o período da invernada. E nada apaga. Nem sabão, nem outra experiência, nem perda de memória. Nada. Sabe-se que ela lá esteve, lá fez estrago e que de lá arrancou pedaço. Grite se quiser, suporte o quanto der, mas não ignore-a. Há quem tire lições, tire proveito. Há quem saiba entender direito que o doer é normal e todos estamos suscetíveis a isso. Resta saber quem será a dor excepcional ao ponto de conseguir perdoá-la, quere-la e, quem sabe, ainda amá-la. Vagarosa em seu passo sem pressa nenhuma, engana aquele que ao álcool se entrega. Se fosse assim tão fácil… Quem dera! Depois de instalada, exige tempo ao tempo. Mas quem sabe ao certo quanto levará o mesmo? Fica-se sentindo o pré-sentimento de ter certeza que ela nunca passará. Só que passa. Inevitavelmente passa – tomara -, ainda que não se apague. Dor que é dor apenas se resguarda para doer na hora certa. Pra ela. Pra gente, é sempre na hora errada. De todo tipo de dor, a pior é aquela que esmaga, aperta e aflige o coração. Essa, então! Faz do homem peão, da mulher escravidão e vice-versa sem medo. Faz o que quiser. E, por mais repetitivo que pareça, cicatriza lenta.

Ou pode ser que nem cicatrize.

(Gustavo Lacombe)

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