Escada do Tempo

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Nossa escada já está um tanto desgastada pelo tempo. Olhei pra ela hoje com um misto de nostalgia e paixão, e meu primeiro movimento foi logo em sua direção. Sentei, pude ver nossos nomes gravados no quarto degrau – junto com o coração que fiz com a chave da sua casa. Era uma manhã como aquela em que nos conhecemos.

Estranho estar ali de novo. As árvores talvez fossem as mesmas, mas o entorno, a vista, muita coisa já tinha se modificado. Dali podíamos ver algumas outras casas mais baixas, a rua principal da cidade e podíamos sentir uma brisa tocar nossos rostos meio que agradecendo por pararmos um pouco com a agitação e descansar naquela escada.

Lembra como ela parecia grande no começo? Nossa! A venci hoje com um mínimo de esforço e ri. Nós éramos tão jovens, mas crescemos tanto um com o outro. Não se via aqueles prédios, eu lembro. Não se tinha aquela barulheira dos carros passando, os sons no último volume. Ainda dava para ouvir um violão ao longe. E eu que tantas vezes levei o meu para aquele degrau e te cantei minhas músicas – as suas preferidas.

Uma nota e eu já podia ver seu sorriso se abrindo do meu lado.

Ah! Dois degraus acima eu vi os nomes de meu irmão e sua antiga namorada. Divertido encontrar pedaços do passado pela cidade. Pude ver outras dezenas de nomes, todos enfeitados com corações, flechas e “para sempres”. Como éramos bobos. E apaixonados. Bobos apaixonados. Éramos felizes! Fui ao restaurante onde jantamos com seus pais e quase pude sentir o nervosismo daquele dia. Fui a outros lugares também.

Sabe, meu amor, não tem sido fácil desde que você se foi. Mas se existe uma coisa que me faz continuar a querer viver sempre mais, essa coisa é a lembrança da sua vontade de viver. A alegria com que você agradecia por mais um dia. Poder acordar e ver a família que construímos. E eu estou aqui até hoje por sua causa, pela sua força. Mas, olha, com certeza a gente ainda vai se ver de novo.

Enquanto não chego aí, deixa eu olhar mais pra essa escada que já teve tanto da gente ali. E eu vou me virando com essa saudade por aqui.

Sempre seu,

Amor.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

Obs.: Preparem-se. Em Abril tem lançamento. 😉

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