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Nosso amor é eterno – (Nicete Bruno)

Sem dúvida o mundo precisa de mais exemplos de amor.

Paulo Goulart e Nicete Bruno nos deixam um. Lindo, por sinal.

Não se vive um grande amor da noite pro dia. Mesmo que os teóricos dos relacionamentos gritem aos quatro ventos que se pode ter alguém por um momento e levar aqueles segundos para a eternidade, o que prego aqui é o carinho indiscutivelmente sem interesse durante toda uma vida.

Aliás, com um interesse: fazer o outro feliz durante esse tempo.

Foram sessenta anos. Sabe quando você pensa em um casal e acha que eles estão juntos desde sempre? Aquelas duas pessoas que você nunca vai conseguir ver sem a outra? Aquela coisa de pensar em uma figura e não saber dissociar da outra? Paulo e Nicete eram assim. Via-se um na TV e logo se lembrava do outro. Duas pessoas, mas um casal. Único e indivisível.

Até que a morte os separou. Ou não. Medir a dor é inimaginável. Não há como mensurar o que é enterrar quem se ama. Se despedir, ficar. Em uma das declarações que vi Nicete fazer a Paulo, ela dizia com todas as letras o que muita gente ainda sonha em encontrar por aí: o Paulo é o amor da minha vida.

Isso não se acha na esquina. Ou pode até ser que a pessoa lá esteja, mas não se constrói nada disso de uma hora pra outra. No caso deles, foram sessenta anos. Acho que nos acostumamos com os “amores” de baladas, ficantes e namoros que estão sempre por um triz – seja pela grama do vizinho parecer mais verde ou a farta possibilidade de começar algo novo ao invés de consertar o que se tem.

Joga-se fora antes de pensar em soluções.

Não conheço a história dos dois. Não sei como se conheceram, não sei a idade dos filhos, não sei se brigavam muito, se passaram por dificuldades. Reconheço que o que sei é apenas o que aparecia na televisão. E, olha, eu via duas pessoas que se amavam e, acima disso, se respeitavam.

Sempre vi sorrisos entre os dois. Sempre vi o amor estampado nos rostos. Um amor que atravessou uma vida, mas que sempre parecia novo. Um amor como aquele que acredito que ainda é possível encontrar. Pode até ser que tenhamos esquecido como se fazem verdadeiras histórias a dois, mas o exemplo está aí.

Sempre esteve. Há sessenta anos. Paulo e Nicete.
Amor bonito.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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