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Estou deitado no sofá.

É domingo. Televisão ligada, alguma coisa no jornal me conta sobre mais um problema. Droga de jornalismo que só fala de desgraça. Mudo pra alguma coisa de esporte. Os olhos quase fecham, mas eu não penso em voltar pro quarto. Preciso ir na rua comprar o café.

Até que ela aparece.

O rosto ainda inchado e denunciando o sono é suficiente pra dizer que a gente dormiu pouco. Apesar de não ter colocado despertador nenhum, a vizinhança barulhenta não permitiu que a gente se alongasse na cama. Não agora de manhã. E nem mesmo com o ar-condicionado ligado. Ô, povo inconveniente.

Se joga nos meus braços e fica. Me dá um beijo no pescoço, se ajeita e logo eu a sinto soltando o peso. Típico de quem começa a adormecer de novo. Passo o braço e fico rindo sozinho imaginando que a enlaço em mim. Não sei o que está passando na televisão desde a hora que ela apareceu. Ela tem essa coisa de chamar toda atenção pra si e não me permitir pensa em mais nada.

Noutras situações beiraria um problema, mas ela nunca foi um pra mim.

Sorrio mais um pouco. Vê-la tão dócil ali comigo e lembrar da mulher que ela se torna entre quatro paredes me faz refletir sobre todas as mulheres que existem dentro de apenas uma. E não necessariamente entre paredes, mas o eufemismo serve. Chega a me dar preguiça de parar de amá-la. Olho o relógio e vejo que ainda falta muito até a gente ter de se arrumar pro almoço de família.

Eu deveria sair pra comprar o café, mas achei outra prioridade: aninhá-la em mim.

(GustavoLacombe)

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