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Ela apareceu com uma blusa preta decotada que não me fazia querer olhar outra coisa. Cheguei a ficar com vergonha, porque tenho moral suficiente pra dizer que não sou desses homens que parecem nunca ter visto um par de peitos. O problema era o formato daquela blusa e o local estratégico em que ela tinha se sentado. Bem na minha frente e dizendo “vim com pressa, peguei a primeira blusa que vi no armário”.

Obrigado, seu Armário.

Sabe qual era a minha vontade? Um dica: não envolvia arrancar a roupa dela. Claro que não! Se ela ficasse nua na minha frente agora não teria graça. Aliás, perderia a graça. O jeito “me arrumei correndo” era a cara dela, mas eu sabia que Deus tinha abençoado demais aquela criatura. E me abençoado por ter a colocado no meu caminho.

Minha vontade era que fosse socialmente aceito que se conversasse com alguém sem olhar nos olhos da pessoa e que não fosse falta de respeito isso. Me controlei. Ela sorria, não sei se da minha cara de bobo ou por estar ali comigo (e eu torcia pra que fosse a segunda, mas era meio que improvável). Respirei, olhei uma última vez e decidi ajustar o foco para outra coisa.

O sorriso dela era ainda mais bonito que o decote.

Com o passar do tempo, fui percebendo outros detalhes que ela tinha preparado para aquela noite. A boca levava um batom vermelho que emoldurava o sorriso, o lápis de olho parecia fazer aquela castanhice olhar minha alma e o perfume dela poderia ter um fixador eterno em mim que eu não ligaria.

Acho que aquilo era quase uma prova de fogo. Não que eu ache que ela me largaria se notasse o quanto olhei pros peitos dela a noite toda, mas era exatamente para notar o que existia além daquilo. Um humor delicioso, uma conversa gostosa e uma das noites mais agradáveis com uma mulher inteligente e que, sabe lá Deus o motivo, gostava de mim. Realmente, aquela blusa poderia ter sido escolhida por acaso.

Nesse caso, obrigado, Acaso.

(GustavoLacombe)

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