WHATSAPP-ABRE

Fico fazendo essa gincana idiota na minha cabeça de que se eu te pegar online no Whatsapp vou dizer um “oi”, só pra quebrar o gelo mesmo. Aí, entro uma, duas, três vezes e, por fim, acabo acertando o exato momento em que lá você está.

E acabo não mandando nada.

Digo que, na próxima vez, não vou nem hesitar. Bobo, minto pra mim mesmo porque gosto. Só pode. Não é o que dizem? “A pior mentira é aquela que contamos para nós mesmos”. Vivo repetindo que posso viver mais um dia sem você. E o pior é que eu acredito nessa mentira.

Será que eu mando um áudio? Mando só um “boa noite” pra você lembrar da minha voz, pensar com carinho e dormir bem. Ou, então, se já estiver dormindo, acordar sorrindo por ver que eu lembrei no dia anterior. Sei lá. Essas suposições malucas que eu faço.

Acho que se perde muito tempo achando as coisas. Acha que vai dar certo, acha que pode dar errado, acha que é isso, que é assado, que tá frio, que tá quente. Ah, acha tanto mas, no fundo, não procura fazer nada. Efetivamente, não acha nada. Mas tudo bem. Eu me acostumei a brincar comigo.

E você estava online há cinco minutos. Droga.

Volto pra gincana. Lembro de quando eu tinha poucos anos e nas festas de aniversário elas rolavam de verdade. Se alguém me pedisse, agora, cinco momentos inesquecíveis contigo, seria fácil. Que peçam mais! Na brincadeira de me fazer feliz você é profissional.

Online. Travo de novo. Pra quê romper o silêncio? Só pra ver você me respondendo monossilabicamente? “Tudo”, “ta”, “hm”, uma carrinha. Isso não é conversa. Deixa pra lá. Deixo que meu silêncio vá te dizendo as coisas. Última vez que fui visto: depende. Feliz?

Quando você estava online só pra mim.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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