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Você deve ter feito de propósito! Não é possível!

Deitei a cabeça no travesseiro e a única coisa que conseguia lembrar era o quente da tua boca na minha e como as línguas se falavam e se entendiam. Gostoso demais pra me deixar dormir sem ficar pensando longos minutos e cogitando sair correndo de madrugada só pra provar de novo o que por muito tempo eu não encontrei: química.

O lado da cama que eu deitava parecia me fazer, inclusive, lembrar das tuas mãos em mim. Era como se ainda tivesse seus dedos marcando a minha roupa, meu braço, minha perna, minha nuca. E eu, no escuro, mordendo o lábio e rindo solitário pro teto, que certamente achava mais graça ainda na minha loucura de ficar projetando nós dois nele, como se visse um filme.

E a cabeça parecia estar em looping.

Um segundo antes de adormecer, pude sentir o vento trazer seu cheiro. Como se me fizesse cafuné, alisando meus cabelos como você faz, peguei no sono com a certeza de que não estava ali sozinho. Se não ao meu lado na cama, noutra parte da cidade o nosso pensamento se conectava.

E ainda se beijava.

Dormi sem sonhar. Aliás, sonhar pra quê? Já tinha passado a noite inteira de olhos fechados no meio do seu beijo e do seu abraço, abrindo-os apenas para me certificar de que, realmente, não estava sonhando acordado. Você fez de propósito, eu sei. Sem conseguir pensar em mais nada, fiquei comigo pensando “como eu quero de novo”. Seu beijo, meu vício gostoso.

(Gustavo Lacombe)

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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