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Talvez, se eu soubesse o nome dela, algumas coisas seriam diferentes. Não ficaria imaginando aqueles olhos castanhos que me enxergam a alma sem saber quem os tem posse. Daria a sua dona, muito mais que um rosto, mas algo a mais para poder soprar por aí, rabiscar nos cadernos e falar baixinho antes de dormir. Talvez, se eu soubesse, eu não ficaria fechando os olhos e apenas repetindo de um jeito bobo: ela.

Dizem alguns que, às vezes, passa por aqui sem pressa. Pelo retrato falado do qual tanto descrevo, é capaz de a terem já dito. Pelo tamanho da impressão que deixou em mim, é bem provável que já tenha sentido que em algum lugar dessa cidade alguém a quer tão bem assim. Pelo tanto que penso nela, acho que ela já pode ter me visto por aí enquanto dormia.

E que seja em sonhos, claro.

Uma vez eu tive a chance de me apresentar. Foi uma dessas vezes que a gente se cruzou e eu, distraído, esbarrei sem querer. Ela deixou cair a pasta, eu apanhei. Pedi desculpas, ela sorriu. Me apaixonei (mais ainda), ela disse obrigada e partiu. E só a noite sabe o quanto eu rolei na cama pensando que poderia ter feito alguma coisa diferente. Queria a coragem de um beijo roubado, mas não tenho nem a incerteza da pergunta pelo nome.

Talvez, se uma conjunção de fatores se juntassem e me tornassem algo um pouco diferente, a esqueceria por estar certo de que paixões platônicas não precisam criar raízes. Poderia ser apenas uma simples atração. Poderia não ser nada. Poderia saber o nome dela. De novo me pego pensando nisso. Talvez, se eu soubesse, imaginaria nossos nomes juntos de alguma forma, mas não sei.

Então sempre escrevo: eu e ela.

[ Gustavo Lacombe ]

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