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Doeu, sim.

Ficar na frente da televisão ontem foi um grande sacrifício para muitos brasileiros. Alguns até continuavam a acreditar na virada histórica mesmo com o placar já desfavoravelmente desenhado. Soltavam alguns “vai, Brasil!” tímidos em meio a olhares de desaprovação. Engraçado acreditar no que parece impossível, né? Ainda assim, o que mais e chamou a atenção foi que, no momento em que o jogo pareceu definido, as mensagens que durante toda a Copa foram de descontração e prioritariamente sobre o Esporte, começaram a ganhar cunho político.

Chegaram a comparar a formação do indivíduo alemão com o brasileiro.

E não é que eu não concorde com parte do que tem sido dito, mas parece que o resultado de ontem serviu para “acordar” toda uma gente que estava hipnotizada durante todo o torneio. De uma hora pra outra a Seleção passou a ser responsável por tudo de ruim, ninguém valia nada e querem a cabeça de um por um.

Senhoras e Senhores, calma. Isso é futebol. A coisa mais importante dentre as menos importantes para aqueles que apenas o tem em suas vidas como uma torcida, uma paixão. A vida segue. Não se trata de assumir o discurso de que o importante é participar, mas chegamos longe de qualquer forma. Talvez sejamos aqueles espectadores que esperam por um determinado final de filme, mas ficam decepcionados com o que encontram.

Pensem bem. E se existe, então, a revolta pelo que houve e as associações com tudo que se passa nesse país, que pelo menos em Outubro nós saibamos votar. Que a vergonha tão dita por aí fique apenas dentro de campo, mas que na vida ainda tenhamos a cabeça erguida para seguir.

Vai continuar doendo, sim, para todos aqueles que acreditavam e queriam ver o Brasil campeão. Agora, temos quatro anos. Não para preparar um time, mas para, enfim, começar a cantar a música “Sou Brasileiro com muito orgulho, com muito amor” de verdade. Preparar a nação. Quem sabe, quando a Copa desembarcar na Rússia, poderemos ser um povo que não precisa misturar a derrota de uma Seleção no campo com Política, por mais que as duas coisas possam ter alguma relação.

Continuaremos a ser o país que organizou a Copa das Copas.

Continuaremos a constar nos resultados como uma das quatro melhores Seleções do Mundo. Só não podemos continuar a ser uma nação que reclama de tudo que aí está e não usa o melhor meio para mudá-lo. “Vai, Brasil!” ainda vão continuar dizendo alguns esperançosos, certos de que em 2018 seremos outro time.

Quem sabe outra nação também.

[ Gustavo Lacombe ]

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