Que se Chama Amor

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Você atende o telefone e meu coração dispara. Não por nervosismo da falta do que falar, mas porque eu sempre fico assim mesmo antes de começar dizendo “oi, amor”. É bobo, eu sei. Ainda assim, é o jeito estranho que me deixa o ouvido sensível à sua voz. Estremeço e reajo no milisegundo seguinte, quando meu corpo recebe um impulso nervoso traduzido na assimilação do fato:

Eu amo essa mulher.

Se deixasse a saudade me levar, então, acabaria passando pelo fio do telefone e sairia ao teu lado. Não sei se apenas palavras tem o poder de mostrar alguma coisa, mas se o simples gesto da ligação contar já está valendo. Essa coisa toda de distância – e não importa o tempo que ficam afastados dois corações que se amam, é uma complicação que chamada alguma consegue dar fim. Ameniza, ao menos.

Com a incrível capacidade que tem a sua ausência, me tornando atento a qualquer detalhe, peço uma risada sua e já relembro toneladas de outras vezes que rimos juntos ou que ouvi esse meu som preferido por algum motivo. O seu riso é minha alegria. E vou descobrindo outra absurda capacidade de ficar mais bobo a cada palavra que ecoa através do aparelho enquanto você me conta as novidades.

Ou, então, já se tornou loucura.

Cura? Não tem jeito. Porque mesmo a tua presença não mata a saudade toda. Essa mesma que logo invade meu peito assim que você parte. E reparte o momento entre a felicidade por te ter assim perto e o início da contagem de quando retornará. Nesse meio tempo eu vivo. Ou acho que vivo. Porque fui descobrir que sou completo contigo. Uma coisa meio maluca mesmo.

Que se chama Amor.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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Um comentário sobre “Que se Chama Amor

  1. “Porque mesmo a tua presença não mata a saudade toda. Essa mesma que logo invade meu peito assim que você parte. E reparte o momento entre a felicidade por te ter assim perto e o início da contagem de quando retornará. ” Revivi o tempo em que namorei um cara de outra cidade. 1994, nada de tecnologia que amenizasse sdd ou distância. Mas confesso que mesmo estando com alguém de minha cidade, experimento um pouco desse sentimento de “presença que não mata a sdd toda”

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