Quando ela começou a me chamar de “meu bem”, eu achei bonitinho. Era diferente daqueles casais que só diziam “amor” e já tinham feito o apelido carinhoso virar vírgula. Aqueles que dão bom dia no automático, sabe? Tinha algo de diferente, mas só entendi quando parei pra pensar na palavra por si só.

Eu era o bem dela.

Era, entre diversos outros motivos, algo e alguém que lhe fazia – wait for it… – bem. Ela também fazia o mesmo aqui. Se pudesse, declararia ela no imposto de renda, mas teria que explicar à união o enriquecimento repentino de amor no meu coração. Eu era bem. Cotado, amado, querido. Mas uma última coisa me fez querer ter aquele apelido pra sempre. E não se tratava do jeito com que ela falava nem nada.

O fato foi perceber, ao conhecer os pais dela, que eles se referiam assim um ao outro. Confesso o romantismo incurável e, também, confesso não ter resistido aos pensamentos de que, um dia, nós pudéssemos ter a nossa família e que nossos filhos ouvissem os pais se chamando carinhosamente de “meu bem”. Fazia e ainda me faz um bem danado ser pra ela isso tudo. E eu me esforçando pra dar de volta tudo isso também.

Faz bem ser o bem de alguém na deliciosa certeza de que não se quer amar a mais ninguém.

[ Gustavo Lacombe ]
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