Sexo

Couple's feet

A versão original é em texto. Segue a versão em forma de poesia:

Não existe lugar certo para o sexo
Pode ser que comece e termine na cama
Ou então que a chama se espalhe e logo incendeie a casa
Quem costuma se queimar nessa brasa,
Às vezes topa fazer em qualquer recinto
No vestiário de um clube,
dentro do carro no estacionamento do shopping
ou no banheiro de um restaurante esquisito.
Fica-se onde pode
Só não fica na vontade

Muito menos precisa de hora marcada
Não é visita de médico, nem apontamento na agenda
Pode até ser esquematizado, ser arquitetado
Quem sabe por encomenda?
Mas o desejo vem de manhã, de tarde e de noite.
Vem no meio da madrugada,
vem quando ela está cansada ou – que pena
– assim que o outro bate em retirada.
Pode jogar fora o relógio, tem vezes que ele nem avisa.
Te pega e te acende do nada.

Há quem defenda que seja feito com amor.
Há quem não ligue pros gemidos altos
– contanto que sejam de prazer, não de dor.
Há quem diga que fortalece a amizade, outros que a estrague.
Há quem seja traumatizado, há quem pague caro.
Há quem ache que é pecado.
Há quem não fique sem, há quem conviva bem,
há quem sempre procure. E tem.
Há tantos tipos que poderia ser fácil afirmar: todos fazem.
Ou quase essa porcentagem.

Assim, todos os dias posições são feitas
e refeitas, inventadas e reinventadas.
Não precisa decorar o Kama Sutra.
Pode ser de lado, de frente, de costas, com direito a uma surra.
Assim, assado, virado para mim, virada para a lua.
Papai e mamãe, à três, de quatro, ou mais uma lista sem fim.
Imaginação é a chave (ou uma boa conversa, quem sabe).

Tem quem goste de motivo.
Reconciliação é clichê. Saudade e carência também.
Por que não admitir que se faz por fazer?
Sabe, uma boa trepada faz tão bem…
Vá lá, pode ser em comemoração.
Aniversário, boda, promoção no trabalho.
Só não se estipula dia certo.
A semana tem sete,
mas não é preciso ser sexta-feira para dar aquela bagunçada no coreto.

Aliás, essa coisa de nome é engraçada.
Tem gente que fala bubiça.
Tem gente que despista e diz qualquer outra coisa,
tipo “Mãe! Vou à missa!”.
Fazer amor, transar, foder, trepar.
Normal.
Negocinho, gostosinho, ousadia, dormir junto, sacanagem.
Tudo igual.
Muda o sotaque, muda o local, só não muda o conteúdo.
É sexo ao final de tudo.

É preciso conversar, falar disso.
É preciso encarar como um fato na vida,
não um problema ou um inimigo.
Aconselhando e mostrando os riscos,
fica fácil entender que protegido
é o melhor jeito de deixar tudo mais divertido.
Seja divino ou mundano, escancarado ou debaixo dos panos,
com ou sem amor, que nunca se perca o respeito pelo outro.
Assim fica bom do jeito que for.

[ Gustavo Lacombe ]

http://www.facebook.com/GustavoLacombeTextos

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