Eu tô com medo de reaparecer assim. Do nada. Chegar falando pra ela um monte de coisa e interromper outra que esteja acontecendo. Vai que ela está feliz? Vai que ela está acertando os ponteiros com a vida e, logo agora, se acostumou comigo longe? Vai que não tem mais nada a ver e eu tô a procurando por uma simples vontade? Nunca acredite nas loucuras feitas por desespero, não é?

Vejo os sorrisos nas fotos e acho que é exatamente aí onde ela quer estar. Não estava me esperando, apenas seguiu. Não pensa em me dar outras chances, mas em se dar novas chances. Aliás, eu mesmo não me daria outra. Olha o tanto de merda que eu já fiz. Olha o quanto eu já causei de mal. Vou chegar, assim como quem não quer nada, e dizer que o amor que sinto nunca se apagou?

Que nunca morreu?

Não quero agir por impulso. Não quero confundir uma falta, um sentimento de posse e achar que agora que posso perdê-la preciso tê-la com todas as forças. Não quero machucá-la mais. Eu escolho vê-la sorrir, ainda que seja com outra pessoa, do que causar mais confusão. Sei que é difícil. Ou você acha que não fico ruminando o pensamento de que posso estar perdendo a mulher da minha vida?

Posso estar jogando fora quem iria ao inferno comigo, quem cruzaria qualquer trilha, pularia qualquer muro. Que enfrentaria tudo só pra estar ao meu lado, mostrando o certo e o errado. Sendo companheira, como sempre foi. Você acha, seriamente, que eu não penso nisso? Tenho pensado, remoído, refletido. E enquanto isso o tempo passa.

Devagar e inexorável. Certo e devastador.

Claro que eu pediria um sinal, mas duvido algo cair do céu assim. Mais sinais que antes, impossível. Mais condições de voltar a ser o que era, impossível (2). Mais abertura para entrar no abraço, impossível (3). Fico pensando se já não deixei passar. E aí, já era. Deixei passar: o tempo, a felicidade, e ela.

[ Gustavo Lacombe ]

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