Quando foi Chuva

 

No teu corpo eu fui chuva.
 

Quando não procurava, fui encontrado. Ou foi, praticamente, um esbarrão. Fosse o que fosse, se assemelhava ao sair de casa sem guarda-chuva e ter o corpo tomado no virar do tempo. Sem ver de onde surgia tanta água, sem saber o que fazer, sem ter pra onde correr. Quando já pensava em desistir de encontrar abrigo, finalmente entendi: precisava me molhar por inteiro pra ser devolvido à vida e ficar desperto para as coisas que cruzam nosso caminho sem que percebamos. 

E depois de abrir o céu, já não era mais o mesmo.

 Ainda desejava cada gota, ainda sentia escorrer em mim todo o mar que me pegou desprevenido. Vindo do céu, facilmente seria confundido com uma bênção. Vindo de onde quer que fosse, facilmente seria identificado como o principiar de um arrepio que sobe pelas costas e parece não querer se conter ao corpo, mas transbordar em um sorriso.

Quando nem ao menos imaginava ser possível que algo assim cruzasse meu caminho, me peguei sorrindo com os truques que a vida impõe. Tive apenas que agradecer pela grata surpresa que, numa interseção do Destino, lavou minha alma. Por fim, quase delirando no querer de sentir aquilo tudo de novo, imaginei que toda água seria pouca. Queria mais. 

Mais daquela água que ainda me adoçava a boca.

[ Gustavo Lacombe ]

Para comprar meu livro “Destino, Acado ou Algo Mais Forte”: http://www.bitly.com/LivroLacombe

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