O dia amanheceu nublado e Ayrton pensou “hoje vai ser duro”. Meio desanimado, o bi-campeão Mundial de Fórmula Um começou sua rotina desejando que a previsão do tempo estivesse errada e que a chuva fosse pra longe. Ayrton detestava correr em tais condições climáticas. Preferia pista seca, motores a toda e nenhum outro fator externo atrapalhando. Mas, como era de se esperar de um piloto experiente, teria que ir pro sacrifício, mesmo que tivesse que fazer o feijão com arroz e apenas completar a prova.

Sabe quando isso poderia ser verdade? Nunca.
Primeiro porque Ayrton Senna, o maior piloto da história da F1, adorava guiar seu carro na pista molhada. Segundo porque, competitivo como era, jamais desanimaria, fossem quaisquer as condições da prova. Para alguém que viveu no limite de cada curva, dirigindo a mais de 300 por hora, não havia tempo para reclamar das situações adversas que, possivelmente, se apresentassem. Pelo contrário. Ele fazia dos obstáculos um trampolim para mais uma vitória.

Então, imaginem, Senhores, se ao acordar e olhar pela janela, ainda guiando seu kart, ele se deixasse dominar pelo medo de derrapar, sair da pista e não seguir? Imaginem se, por um milésimo de segundo, ele hesitasse em colocar pé embaixo para fazer uma ultrapassagem? Não seria Ayrton. Não seria a lenda que conhecemos e que nos encantou. Não seria o piloto fantástico que, a cada manha de domingo, nos colocava na frente da televisão e nos fazia ter orgulho de ser brasileiro.

Você pode até argumentar que Ayrton foi único. Fora de série. Mas são esses caras que nós dão o exemplo. São esses seres humanos que no auge de sua forma ousam desafiar seus limites e buscar seu melhor. São esses caras que nos fazem ter certeza de que podemos ir mais longe. São essas as inspirações que devemos levar pra vida e lavar a alma quando as usamos para ir atrás daquilo que sonhamos.

Assim, um dia nublado não pode nos vencer.

Quando sentir que vai chover, abra um sorriso. Se anime pela possibilidade de ver o arco-íris. Repare que, mesmo com um Mundo mais incolor, somos nós que damos vida aos nossos dias. Você pode até desejar rever o Sol e lembrar aqueles dias de calor em que não havia a inconveniência dos guardas-chuvas e das poças espalhadas pela cidade como minas terrestres, mas ainda poderá tirar o melhor de hoje.

Ayrton não ficou conhecido apenas por ser um bom piloto na chuva, mas por ser campeão. Não se tornou um exemplo apenas pelo o que fez nas pistas, mas pelo o que fez na gente. Ele mexia com os brios de qualquer o assistisse. Ele nos fazia querer colocar em prática o melhor que possuíamos. E ele ainda é aquele cara que parece te olhar atrase de uma foto e dizer “vai com tudo e lute sempre pelo o que você quer”.

Na Vida, não existe isso de acelerar pela metade. Ou é pé embaixo na reta ou vem outra coisa e passa por cima. Não tem como ter medo das curvas, ter receio do muro se aproximando cada vez que você passa perto. Os riscos são constantes, mas só os corajosos conseguem desafiar seus limites e atingir a excelência. A história não poupa aqueles que tiraram o pé. E mesmo ela sendo cruel por só lembrar dos vencedores, vai recompensar sempre aqueles que ousaram buscar seus sonhos.

Ainda que as condições da pista e da Vida não sejam as ideais. 

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