Da janela do ônibus, uma menina acenava e assoprava um beijo. Do lado de fora, um cara colocava as mãos dentro do casaco e segurava o choro. Dava o mesmo “tchau”, mas é sempre pior pra quem fica. Nessa coisa de namoro à distância, quem vai ainda tem a estrada pra se distrair. Inevitável, para os dois, seria a saudade que preencheria o peito – quase que instantaneamente – assim que o veículo saísse da plataforma da rodoviária de Campinas.
Nenhuma saudade consegue ser compensada.

De um banco ao lado, alguém assistia aquela cena e pensava no tamanho da coragem dos dois em bancar um relacionamento assim. Num Mundo onde a oferta para se resolver problemas de carência parece tão abundante, assumir um compromisso com alguém e deixá-lo longe não parece um cenário tão seguro. A fraqueza das pessoas faz com que promessas sejam quebradas, regras violadas e confianças para sempre abaladas. Sem dúvida, amar é para os fortes.

Eles sabiam daquilo tudo. Quantas vezes já não tinham ouvido uma piada aqui, outra ali. “Relacionamento à distância é bom para os quatro”, diz um ditado popular. E idiota. Talvez a freqüência com que dois apaixonados longe um do outro se vêem seja apenas um detalhe perto da intensidade que colocam a cada encontro. Claro que há tempo para brigas, discussões e coisas ruins pelas quais passam qualquer casal. Ainda assim, sabendo do pouco tempo que tem juntos, aproveitem bem mais o Amor que sentem.

A saudade entre duas pessoas que se amam apenas reitera a certeza, essa que o peito há muito tempo grita. Os quilômetros que os separam sabem, cada vez que são percorridos, que nunca serão o bastante para afastá-los de vez. As dificuldades que aparecem testam os dois, mas se transformam em combustível para poderem prosseguir. E quer dificuldade maior que estar longe? E quer combustível melhor que querer estar perto?

Ali, sentada naquele ônibus, com os olhos marejados e abraçada a uma foto, ela olhava as estrelas pela janela. E, certamente, não se preocupava com a lonjura que agora se recolocaria entre eles. As juras eram mais fortes, o caráter dos dois era bom, o Amor era o bastante para suportarem. E aos que ainda duvidavam, eles aprenderam a dar de ombros. Se não entendiam que aquilo era Amor, o que por fim entenderiam?

Amor é pros raros.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:

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