Ela mandou mensagem de madrugada. Escreveu um “eu acho que você já está dormindo” e acertou em cheio. Estava lá pelo décimo sono, como dizem os ditados populares. Desejei ter tido insônia e que a tivesse pegado de surpresa enquanto escrevia o resto da mensagem. Ia mandar um “tô aqui, boba”. Ao invés disso, ela escreveu um “estou aqui passando só pra te deixar um beijo”, e aquele beijo ficou ali durante umas sete horas. Sete longas horas até ser recebido. Queria mesmo era ter aproveitado a mágica do beijo ali, naquela hora, quase instantâneo, mas depois percebi que era besteira. O beijo dela me esperava. Seja pra poder encontrar minha bochecha – ou minha boca, ela não disse onde – ele me esperaria. E eu ria sozinho no quarto. Me ria de chamar atenção de quem passasse do lado de fora do cômodo, certamente se perguntando o que será que poderia já ter acontecido comigo naquela hora. “Acordou louco”, talvez pensassem. Louco mesmo. Perdido de Amor. Agarrado ao travesseiro como se fosse o próprio corpo dela. Fechando os olhos e vendo outro par na minha frente, os olhos dela. Tudo por conta de uma mensagem que tinha ficado a noite inteira ali. Um beijo enviado com carinho e que guardou meu sono. Eu teria dormido muito bem se a tivesse visto assim que chegou, mas ler aquelas palavrinhas logo pela manhã já tinha me feito acordar sorrindo. E nada melhor que acordar sorrindo por quem a gente ama.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
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