A maior mentira que já contei na Vida foi te olhar nos olhos e dizer que não te amava. E, pior, repeti porque era a única coisa a se fazer. Não poderia dar meu braço a torcer assim e nem queria te perdoar. Confesso que durante muito tempo guardei meu rancor em um lugar especial, no meu presente. Não podia ouvir falar teu nome, sentir teu perfume na rua ou passar por algum momento que me lembrasse nós dois.

Meu coração te odiava com a mesma força que um dia já tinha te amado.

Sei o quanto isso fez mal pra mim. Aliás, só eu sei. Não pense que você pode cogitar sentimentos, pensamentos ou qualquer outra coisa sobre mim. Muito menos minhas atitudes. Eu estava com a alma machucada e precisava me curar antes de tomar qualquer decisão. A única coisa que você pode acertar nessa história toda é a culpa. Definitivamente, ela era toda sua. E, com o passar do tempo, comecei a perceber que a Vida tinha mudado.

Me faltava muito que tínhamos vivido e de todo o bem que era capaz de me fazer, mas eu inevitavelmente seguia. E assim eu segui. Não me fale sobre como é difícil ter que te encontrar agora. A gente tem o sério defeito de achar que apenas o nosso lado passa por algum mau bocado ao ter essas situações desenhadas. Não pense isso. Aqui também – com o perdão da palavra – tá foda. Porque eu aprendi, depois do dia que tive que mentir pra você, que não podia mais me enganar. E eu ainda te amo.

Se foi um mero acaso que nos colocou aqui frente a frente ou qualquer outra coisa que você acredite, quero apenas ter a consciência tranquila de dizer o que eu ainda sinto. E sinto muito por você. Sinto muito de um amor que ficou guardado e, agora, pode ser colocado pra fora. Talvez não dê em nada, mas só de confessar eu me livro de um peso no meu coração. Eu ainda te amo e não sei o que eu faço com isso.

Só não podia era continuar mentindo pra mim.

[ Gustavo Lacombe ]

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