Safafofo

Assim ele age: enquanto uma mão faz um carinho gostoso pela nuca e sobe pelo couro cabeludo (se transformando num leve aperto), a outra tateia as costas e procura pelo fecho do sutiã (que desliza sem dificuldade para ser aberto por dedos ágeis). Um misto do doce e rascante, como uma bebida gostosa e forte. Essa é a melhor síntese do cara que, enquanto fala algo no ouvido e arrepia a pele da mulher que gosta, não perde o lado atirado de tentar avançar até os limites impostos por ela.

É aquele cara que, enquanto elogia de verdade o corte do vestido, a cor de uma blusa ou algo a mais – um gesto fofo, não consegue deixar de reparar nas curvas que a roupa deixou marcada perfeitamente – um quê de Safa. Peitos, bunda e coxas. Ele viu tudo. Inclusive, reparou no cabelo arrumado, perfumado e com direito a um cangote bem convidativo para um cheiro, um beijo e um carinho – não necessariamente nessa exata ordem. Viu até as unhas, e não conseguiu evitar o pensamento de já pensar em tê-las arranhando as costas.

Ele se atenta aos detalhes.

Saber como tratar uma mulher é o mínimo pra ele. Abrir a porta do carro, puxar a cadeira, mandar uma mensagem perguntando se chegou bem, ligar no dia seguinte e se preocupar se a noite foi agradável ou não. Ele é cavalheiro porque quer agradar a mulher que julga ser merecedora daquilo tudo. E, também, entende que precisa valorizar o fato dela o deixar entrar um pouco mais em seu mundo.

Quando encontra os sinais verdes para mostrar seu lado mais atirado, então, deixa que uma personalidade bem mais atirada tome conta da situação. O prazer que topa viver dali em diante, sabe, tem que ser mútuo, mas o da parceira é bem mais importante se fosse colocado em alguma escala. A satisfação é prioridade da casa e, mesmo sabendo que nem todo dia é bom, alguns merecem a tentativa de quebrar a cama.

Chega de relacionamentos que quebrem a cara.

Ele se envolve, claro. Permite se mostrar frágil, humano. Se deixa levar por elogios, se sente vaidoso ao receber de volta todo o esforço que coloca numa conquista ou naquele namoro longo. Falível, entende que todos os erros do passado podem ter sido causados por muitos fatores, mas não foge da sua parcela de culpa em tudo que acabou estragado – e seria covardia fugir dela.

Longe de ser um príncipe, mas muito distante de um cafajeste, ele tenta reunir as melhores qualidades desses dois lados com a certeza de que um deslize sempre poderá ser fatal. Um lado pode acabar se entregando demais e servindo de trouxa na mão de algumas mulheres, o outro pode acabar sendo frio demais e apenas brincar de conquistar.

Um meio-termo seria a perfeição.

E, nessa história toda, talvez, o que ele deseja é encontrar alguém para quem possa se doar sem medo, se mostrar sem pudor e se revelar por inteiro. Sendo fofo no coração e na essência e safado quando lhe for permitido ser, levando seu jeito despretensiosamente divertido e leve de encarar a Vida. Se os românticos já são uma espécie em extinção, o Safafofo é, sem dúvida alguma, uma das maiores raridades do Planeta.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
http://www.bitly.com/LivroLacombe

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