A porta do quarto bateu devagar e a silhueta se aproximou com jeito. Deslizando as mãos pelo lençol novo, encontrou minha perna que teimava em deixar um dos meus pés para fora na busca para encontrar a temperatura corporal ideal para dormir. Besteira. Um arrepio subia frio junto com a sensação de que seria uma madrugada insone, longe de sonhos coloridos. Hoje era dia de viver de olhos bem abertos.

Quando o corpo finalmente se juntou com o meu, pôde encontrar minha excitação à flor da pele. Sempre durmo com pouca roupa, então, em pouco tempo o algodão dos tecidos já não roçavam entre nós dois. Jaziam no chão, tendo sido devidamente expulsos da festa que se restringiria a nós dois. Éramos nós, um desejo mútuo e um prazer já conhecido de bocas, mãos e carinhos.

Difícil dizer quem mais queria o que ali. Por vezes discutíamos infinitamente sobre quem queria mais dar prazer ao outro. Engraçado isso porque, é sabido, receber pode ser inúmeras vezes mais gostoso. Porém, existe em quem ama uma deliciosa sensação em poder provocar no ser amado sentimentos intensos de delícia e satisfação. O Amor e suas nuances só podem ser entendidos por aqueles que os sentem.

E antes do último suspiro, ainda houve tempo de um marcar o outro entre mordidas, arranhões e chupões. Ao final, larguei meu corpo sobre aquele outro corpo tão lindo, ao passo que entrava pelos meus ouvidos algo já conhecido, mas que me estremecia sempre: eu adoro quando você se larga assim em mim depois que a gente faz amor.

Eu era toda a certeza da recíproca ao me ajeitar no abraço e adormecer sem dificuldade. Eu era todo o prazer condensado nos olhos em agradecimento por ter encontrado quem me entendesse, me acompanhasse, me ouvisse e, também, me amasse de forma tão cúmplice e gostosa.

Eu era um sorriso que começava na minha boca e, naturalmente, terminava na outra.

[ Gustavo Lacombe ]

“Destino, Acaso ou Algo Mais Forte”, meu primeiro livro, pode ser encontrado aqui:
http://www.bitly.com/LivroLacombe

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