Deve estar em alguma gaveta, mas eu sei que está aqui. Pode ser que esteja em alguma estante, numa posta restante, num canto escuro e não-procurado do armário. Deve estar por aí em meio a toda essa bagunça em que se transformou todo o meu viver aqui. Não sei se eu procuro, se deixo se perder. Talvez com uma ajuda eu consiga desesquecer o local onde enfiei tanto sentimento. Talvez com a sua ajuda… O que sei é que ainda o tenho. Eu ainda tenho escrito em algum lugar escondido todo aquele Destino que um dia eu sonhei pra nós dois. Todos os mapas, todas as fotos, todos os devaneios. Todos os sonhos tão ingênuos de um coração que flutuava suspirando e se enchendo de você. Vou acabar encontrando quando eu menos esperar, tenho certeza. Nesse dia, quem sabe eu te ligue correndo e te conte esbaforido sobre a minha saudade, sobre o que eu ainda sinto. Quem sabe até lá nós dois juntos não seja mais um risco para nenhum dos lados. Quem sabe da realidade até lá. Quem sabe!? Se eu encontrar, te aviso. Está por aqui, eu sei, guardado entre as cartas que escrevi e não tive coragem de mandar. Misturado com os beijos que coloquei no papel, mas fiquei com medo de você recusar. Dizem que o Amor não tem pressa. Difícil dizer. Essas pessoas falam tanto sobre Amor sem nem ao menos conhecer. Os efeitos colaterais podem ser coincidentes, mas o Amor faz em cada ser um estrago diferente. Juro que vou achar. Prometo. Antes tarde do que mal entendido: eu sempre te quis. Esse Destino mal traçado num guardanapo não me deixa mentir. Todo esse meu exagero guardado no peito em forma de abraços que não pude te dar, também. Eu vou nos achar.

[ Gustavo Lacombe ]

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