A merda é que você a tinha nas mãos e a deixou escapar.

A grande burrada que você fez foi só valorizar — valorizar de
verdade — depois que teve a certeza de que ela não iria voltar.
E aí, meu caro, não adianta chorar, não adianta prometer e nem ir atrás. A Vida vai em frente e você não percebe que ficou no passado.

É lá que ela te deixou.

Não me cobre nem um afago, nem que eu passe a mão na sua cabeça. Quero te ver bem, sim, mas infelizmente esse jogo aí está perdido. Ela ganhou toda uma estrada pela frente e você perdeu uma mulher incrível. É uma merda, eu sei, mas histórias como a sua se repetem.

Por mais que a gente pregue aos quatro ventos, por mais que os escritores debrucem suas inspirações em histórias assim,
por mais que as músicas de dor de cotovelo se perpetuem pelo cancioneiro brasileiro, não adianta: a gente só valoriza depois que perde.

Se eu pudesse te dar um conselho, diria apenas para você chorar o quanto pode agora. Quanto mais cedo acabar teu pranto melhor. Eu poderia te chamar de burro, de idiota, te xingar, te humilhar e mostrar com a tua própria dor o tamanho do mole que você deu. Como sou teu amigo, vou deixar meu “eu avisei”.

E o pior de tudo isso é que você a tinha nas mãos.

[ Gustavo Lacombe ]

Esse é apenas um dos mais de 50 textos inéditos presentes no meu próximo livro “O Amor é para os Raros”, a ser lançado em Março, mas com pré-venda marcada para 3/1.

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