Não precisa me enganar com as mesmas desculpas. Eu já passei por isso uma vez e, acredite, já até fiz isso. Não acho errado você admitir as circunstâncias exatas em que me procura. Não vou pensar que é um caráter menor ou algo assim. Acho que tudo se trata da vontade que a gente gasta para estar com uma pessoa. E eu vejo no seu rosto que eu sou apenas uma cura pro teu tédio.

De vez em quando você vem, mexe as cordas, me vê fazer alguma graça pra te agradar, mas logo sente que tá perdendo tempo. Vejo no seu olhar a pressa de ver a hora passar, vejo seu relógio brigando contigo insistindo em andar vagarosamente. Eu vejo. Posso até me fazer de cego algumas vezes, mas esse meu teatro fica cada vez mais difícil quando te pego dizendo as coisas que você não sente.

Não precisa dizer que me ama pra me levar pra cama.

Se rola isso tudo entre a gente é porque existe consenso, existe a maturidade da escolha, existem duas pessoas que se querem. Eventualmente. Só corta essa de que sentiu minha falta, pensou em mim o dia todo, morreu de saudade, queria ter dormido agarradinho comigo. Corta, por favor. Eu sei que você não sente nada disso.

Pode ser sincero. Não tem problema ser só pele. Qual o mal em ser uma distração? Mas, por favor, não tenta transformar da boca pra fora aquilo que isso aqui não é. Não somos dois apaixonados que não se desgrudam. Posso até confessar que sou doida por você, mas não me dá tesão em cultivar isso quando a gente tá junto.

Enquanto eu for só a cura pro seu tédio, você não vai merecer mais do que recebe. Não é culpa minha dar aquilo que o outro entrega. Eu aprendi que recíproca é apenas um espelho do sentimento do outro. E enquanto você não me der nada, vai continuar recebendo o mesmo nada que me dá.

[ Gustavo Lacombe]

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